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UMA TRADIÇÃO DE 170 ANOS
Nos mais de 200 anos de imprensa no Brasil, Santos teve papel primordial. Sua primeira publicação impressa, a revista Comercial, surgiu há 170 anos, para atender à demanda de uma população que crescia conectada ao mundo, muito por causa das atividades do Porto. Após a criação da revista voltada para interesses do comércio, a Cidade viu crescer a oferta de novas publicações. Algumas duraram pouco, mas foram primordiais para o surgimento dos veículos de comunicação atuais.

Com 125 anos de história e há seis décadas sob o comando da família Santini, A Tribuna é o jornal mais antigo em circulação na Baixada Santista. Hoje, faz parte do Grupo Tribuna, que reúne impresso, portais, rádio e TV.

Saiba mais sobre esta e outras experiências do jornalismo impresso em Santos, neste Shift realizado pelos alunos de Rádio e TV e Jornalismo Impresso do curso de Jornalismo da ESAMC Santos.

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HISTÓRIA DA IMPRENSA EM SANTOS 

A propagação da informação é algo que acompanha a humanidade desde os primórdios. O que muda, são os meios que a propagam, todos com o mesmo objetivo: repassar uma notícia. Com a criação do primeiro jornal impresso do mundo, o Acta Diurna em 59 a.C, por Júlio Cesar, as maneiras de se comunicar foram se modificando e se popularizando. 

O jornalismo no Brasil teve início apenas 14 anos antes da separação de Portugal, em 1822. Foi um começo tardio se levarmos em conta sua história em outros países. O nascimento dessa atividade no país demorou por causa do medo que a realeza tinha do que poderia acontecer caso o povo tivesse mais acesso à informação, em razão da precariedade em que o Brasil se encontrava. 

Mas, com a vinda da Família Real Portuguesa ao Brasil Colônia (fugindo das tropas de Napoleão), o jornalismo se tornou imprescindível diante do iminente desenvolvimento econômico e cultural, e resultou no primeiro meio de comunicação totalmente brasileiro: o jornal Gazeta do Rio de Janeiro (1808-1822).

Em Santos, o primeiro meio impresso surgiu em 1849, com a revista Comercial. A Cidade que era o ponto de partida de São Paulo para o mundo, por causa do Porto, crescia aos olhos dos brasileiros e imigrantes que viram seu potencial. Com o desenvolvimento contínuo de suas atividades econômicas e culturais, a população santista passou a demandar por mais informações. 

Com mais de 200 anos de imprensa no Brasil, Santos teve papel importante. Após a criação da revista voltada para interesses do comércio, a Cidade viu crescer a oferta de novas publicações. Algumas duraram pouco, mas foram primordiais para o surgimento dos veículos de comunicação atuais. 

Com 125 anos de história, A Tribuna é o jornal mais antigo em circulação na Baixada Santista. Surgiu sob o nome de Tribuna do Povo, em 26 de março de 1894.

Sua primeira publicação foi uma nota de seu dono e criador, o jornalista maranhense Olympio Vaz de Lima, que dizia: “Esta folha não tem ligação com nenhum dos partidos políticos militantes, o que melhor a habilita a julgar de ambos. Suas colunas estão francas a todas as manifestações do pensamento. As artes, as letras e as ciências encontrarão nela uma tribuna livre às suas controvérsias e aos seus ensinamentos.

Aceita toda sorte de publicações, desde que o decoro público não seja nelas desodorado. As que tiverem por objetivo o interesse público serão feitas gratuitamente e as de interesse pessoal mediante prévio ajuste”. O jornal passou por várias mudanças antes de se estabelecer no modelo atual. Após a morte de seu criador, ele passou pelas mãos de alguns interventores. Foi só no ano de 1909 que a A Tribuna começou a prosperar. Seu novo dono, o jornalista Manoel Nascimento Júnior, investiu em diversos maquinários, abolindo a feitura manual. Em 1959, Giusfredo Santini assumiu a direção da empresa, que foi sendo passada de geração em geração entre seus familiares. 

“Antigamente, A Tribuna tinha um quadro de assinantes imenso, a tiragem era grande, eram 40 mil exemplares num domingo. O povo esperava pelo jornal. Não tinha TV ainda naquela época, depois vieram as emissoras para dar cobertura aos fatos”, lembra o jornalista Reynaldo Salgado, ex-repórter e editor de Esportes de A Tribuna. “Era o jornalismo impresso que dominava, existia muita confiabilidade do leitor nas notícias. Hoje, acontece um incêndio a cidade toda fica sabendo”, conclui.

O IMPRESSO RESISTE 

O jornal impresso foi, por muitas décadas, o único meio de circulação da informação nas sociedades modernas. Com o desenvolvimento tecnológico, a notícia foi sendo adaptada para outros meios, como rádio, televisão e, mais recentemente, o universo online. 

Todas essas mudanças afetaram diretamente o jornal enquanto produto e negócio, que para se manter em circulação precisou se reinventar, tanto na escrita quanto na diagramação.

Com isso, as páginas foram dando mais espaço para anúncios, fotos, ilustrações e infografias, tornando-se cada vez mais chamativas.

A expansão da tecnologia trouxe inovações que, num primeiro momento, foram consideradas “inimigas” do jornal impresso, mas o fato é que, até o presente momento, nenhum meio conseguiu acabar com a cultura do jornal impresso. Porém é não há como negar que o futuro do periódico de papel é cercado de incertezas.

A Internet é de longe a maior concorrente do jornalismo impresso. Por isso, as empresas de comunicação do ramo decidiram passar seu conteúdo para o formato digital. Mas mesmo com essa tendência, ainda há pessoas fieis à leitura no papel, relembrando sua época de Ouro. 

A Tribuna é um dos jornais mais antigos da Baixada Santista, ainda em circulação, e hoje busca um equilíbrio entre a nova forma de consumo e a manutenção das suas raízes.

MIGRAÇÃO PARCIAL 

A migração para a internet a redução do jornal impresso teve como consequência a diminuição de oportunidades de trabalho para o jornalista nas empresas tradicionais, mas isso também significa que o jornalismo está em expansão para outras áreas e mídias, criando novos mercados e exigindo novas capacidades dos profissionais da comunicação. 

A forma de consumir informação também mudou, e foi esta a maior razão para a crise que atinge o jornal em papel. Apesar das novas plataformas e exigências, o trabalho do jornalista, em sua essência, continua o mesmo: apurar, organizar e divulgar informações. 

A diferença está na forma de apresentar uma matéria, na qual, por meio de uma plataforma digital on-line, é possível utilizar fotos, vídeos, dados gerados por pesquisa, infográficos, ferramentas de interação com o leitor, entre outras opções.

Para o Gerente de Jornalismo Web do Grupo Tribuna, Alexandre Lopes, a transição do jornalismo impresso em Santos não está nem no começo: “Se você pegar na experiência internacional, jornais como The New York Times, The Gardian e Le Monde estão muito avançados nessa questão. 

No Brasil, as coisas demoram pelos menos uns dez anos para acontecer. Aqui no Grupo Tribuna já demos alguns passos. Temos um departamento digital que reúne os sites G1 Santos e o www.atribuna.com.br. Aliás, é o primeiro veículo da região a ter um departamento digital que junta jornalistas e analistas de mídias sociais. Mas para terminar essa migração, no Brasil, falta muito, pelo menos mais uns cinco anos”.

O grupo Tribuna abarca o jornal diário A Tribuna, a rádio Tri FM, a TV Tribuna (afiliada da Rede Globo) e os sites G1 Santos e globoesporte.com (ambos ligados ao Grupo Globo). “Atualmente, parte da produção para o jornal impresso vai para o site, e o restante das notícias é produzida por equipe própria do digital. Mas a tendência é a redação digital crescer, enquanto a redação do impresso permanecer no mesmo patamar”, analisa Lopes, que, apesar disso, acredita que o jornal impresso não vai acabar nunca:

“O jornalismo impresso, na sua essência, vai estar completamente inserido no mundo digital, mas vejo o impresso indo mais para o jornalismo literário, com matérias especiais, e o digital se fortalecendo na questão do factual”, aposta.

A revista Nove, que cobre assuntos ligados ao turismo, entretenimento e gastronomia na Baixada Santista, já faz parte desse novo contexto, trazendo conteúdos diferenciados em suas versões on-line e impressa. “A maioria das matérias (na revista em papel) tem QR Code para direcionar o leitor para o portal, seja para uma galeria de imagens, e as matérias no portal convidam o internauta a conhecer o material impresso, onde trazemos reportagens mais trabalhadas”, explica o fundador e editor da Nove, Diego Brígido. Ele conta que, no início, o site da revista era um respaldo, um pano de fundo para a publicação impresso, mas que, com o tempo foi ganhando autonomia, força: “Faz uns dois anos que lançamos um portal mais robusto.

A revista tem periodicidade trimestral, o portal é diário, todos os dias temos até quatro notícias, só falando de turismo entretenimento e cultura na Baixada Santista”. A equipe da Nove é enxuta e dividida em criação e conteúdo. Há, também, uma equipe que cuida do conteúdo on-line. 

“Estamos num cenário de mudanças, acredito muito em projetos diferenciados. Vai sobreviver no mercado publicações que conversem com o digital, que o tenham como um complemento e se adaptem ao novo leitor. Acredito muito em projetos por assinatura”, projeta Brígido.


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