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NAS ONDAS DO RÁDIO SANTISTA 

Santos tem uma relação muito íntima com o rádio, revelando grandes nomes da locução, sendo sede de grandes grupos de comunicação e marcando gerações na Baixada Santista.

No nosso Shift inaugural, vamos percorrer as histórias do rádio santista, seu surgimento, como está hoje e quais são as previsões para esse meio de comunicação tão antigo e que continua firme em tempos de internet.

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TERRENO FÉRTIL PARA O RÁDIO

A primeira rádio do Brasil foi a Rádio Clube de Pernambuco, fundada no Recife em 6 de abril de 1919. E um dos lugares onde essa mídia se desenvolveu foi em Santos, que ganhou sua primeira emissora no dia 4 de abril de 1925, também batizada de Rádio Clube. Essa estação foi tão ligada com a história da Cidade que uma de suas antenas, na Zona Noroeste, acabou dando nome a um bairro.

A Rádio Clube de Santos foi a primeira instalada no Litoral Paulista e uma das primeiras do Brasil. Nos anos seguintes já era possível acompanhar, pelos anúncios diários na imprensa local, a programação da emissora, com audições de discos ofertados por lojas santistas e várias apresentações especiais ao vivo, em ondas de 430 metros, 50 watts, desde as instalações no Miramar.

A segunda emissora local a ser inaugurada foi a Rádio Atlântica de Santos, no dia 26 de maio de 1935, por Carlos Baccarat. A Sociedade Rádio Cultura de São Vicente surgiu 11 anos mais tarde, em 17 de outubro de 1946, e depois foi transferida para Santos. A quarta emissora AM, a Rádio Difusão Cacique, foi inaugurada em 23 de março de 1952.

Mas não parou por aí: a Sociedade Rádio Universal Ltda. foi a quinta emissora inaugurada em Santos, em 1954, instalada inicialmente na Rua Sete de Setembro; e no dia 30 de julho de 1961, ia ao ar a Rádio A Tribuna de Santos Ltda. (atual Tri FM). A frequência modulada (FM) surge em Santos na década de 1970. 

A primeira FM da Cidade foi a Rádio Guarujá S/A, em 1974, que apesar de possuir o nome da cidade vizinha, tem concessão em Santos. A segunda FM instalada na região foi a Rádio Cultura, fundada em 7 de fevereiro de 1979, derivada da Rádio Cultura São Vicente. Ambas as rádios pertencem à Sociedade Rádio Cultura São Vicente Ltda., constituída por Paulo Roberto Mansur (mais conhecido como Beto Mansur, ex-prefeito de Santos e ex-deputado federal), Gilberto Mansur e Maria Gomes Mansur. 

Atualmente, as duas emissoras têm seus estúdios e administração situados em Santos, com torres instaladas no Monte Serrat (Cultura Santos FM) e na Vila Jóquei (Cultura São Vicente AM).  Em 10 de maio de 1981, surge a terceira FM: A Tribuna, por iniciativa de Roberto Mário Santini.

Depois de quatro anos, chama atenção uma iniciativa diferente da radiofonia local: a Rádio 95 FM, com razão social Rádio Santos Ltda., que foi ao ar em 15 de julho de 1986, com programação musical e jornalística direcionada ao público jovem. Esta foi a primeira concessão de rádio FM conseguida pelo então deputado federal Gastone Righi. Hoje, a emissora repete o sinal da Jovem Pan.

Três anos mais tarde, teve início o Grupo Mar Comunicação, da família Righi, com o surgimento da segunda emissora: A Rádio Enseada, que foi a ar em 1990. Inaugurada em Santos, com concessão do Guarujá, é a quinta FM da Cidade. 

A Rádio Serra do Mar FM foi a sexta emissora FM a ser inaugurada em Santos, e também faz parte do Grupo Mar de Comunicação. Foi ao ar em 1992. Foi montada em Cubatão, porque a concessão era para o município vizinho, onde ficou instalada até 1994. A sétima FM de Santos foi a Rádio Santa Cecília, com finalidade educativa, no ar desde 1º de janeiro de 1999.

HOJE É TUDO IMEDIATO 

Apesar da falta de distanciamento histórico, ousamos aqui analisar como anda o rádio em Santos atualmente. Com o surgimento de novas maneiras de acessar esta mídia, como o streaming, por exemplo, podemos dizer que o público de hoje é muito mais imediatista, tanto com relação à notícia quanto ao tempo que dedica a uma determinada emissora. Em 2015, a Ibope Media mostrou que 89% dos brasileiros são ouvintes do rádio, em 13 regiões metropolitanas, e que a procura maior é por notícias ou prestação de serviços, músicas sem intervalos, programas religiosos, esportes e humor, entre outros. 

Em Santos, entre as emissoras mais acessadas pelos ouvintes estão a Saudade FM, Guarujá Santos FM e a Tri FM. A Tri é uma empresa do Grupo Tribuna. O nosso Shift esteve no estúdio da rádio, no começo de novembro, para uma entrevista com o locutor e coordenador da rádio, Val Tomazini, e a locutora Lucimara Félix, antes dela deixar o cargo na Tri FM, em 12 de novembro de 2019. 

Lucimara passou 23 anos na emissora, participando de vários programas, sendo o mais marcante Amor a Dois, o qual ela apresentou por 20 anos. Val está há 17 na Tri, atualmente com o programa Conta Mais.

Os dois iniciaram suas carreiras numa época em que a internet não era tão interativa, e viveram uma fase de adaptação da rádio para a Web 2.0, com muita interatividade com os ouvintes, por meio das redes sociais. Ao longo de suas trajetórias, cada um passou por algum obstáculo, mas os desafios foram importantes para torná-los, mais do que locutores, comunicadores. 

Entre as exigências do público santista, Val destaca que os ouvintes encaram o rádio como uma companhia e criam uma grande identificação com os locutores. Lucimara acha muito difícil classificar o público de rádio hoje, e concorda que o que mais o ouvinte santista busca no rádio é a sensação de companhia, e que isso não mudou com o tempo e as revoluções tecnológicas. Ao comparar com o início do programa Amor a Dois, Lucimara lembra que o conteúdo a ser lido no ar chegava por cartas de papel, o que envolvia mais pessoas da equipe para ler e selecionar as mensagens. 

De lá para cá, os ouvintes não têm tanto tempo para escrever, e enviam textos muito mais resumidos para o rádio. “Hoje é tudo imediato. O cara mandou a mensagem e já temos de ler na hora. Então eu acho que a internet veio para contribuir bastante com o imediatismo do rádio”, considera ela. 

Val completa dizendo que agora é a vez da internet: “A internet veio para somar e facilitar nosso trabalho, apesar de complicar às vezes, pois era mais fácil atender a todos os ouvintes pelo telefone. Agora, o ouvinte manda áudio no WhatsApp e já quer ser escutado”. Lucimara destaca que aí entra o papel do comunicador, que usa o jogo de cintura para transformar a aparente cobrança numa brincadeira. 

Outra contribuição da tecnologia é o uso de programas digitais para organizar a programação de rádio. Antes, os locutores tinham de usar equipamento todo analógico para tanto, como fitas, e soltar uma música por vez. Hoje, o computador praticamente faz tudo sozinho, bastando programá-lo. Porém, com o enxugamento das equipes de rádio e o amplo acesso à informação em tempo real acabaram facilitando o surgimento das fake news. Lucimara ressalta que, com isso, a responsabilidade do locutor ou comunicador do rádio, hoje, é muito maior ao transmitir uma notícia. 

Ao final da entrevista, o que fica claro é que uma rádio, para se manter nos tempos atuais, precisa se inovar, mas nunca deixar de se relacionar com o ouvinte, especialmente se ele for santista. 

RÁDIO ONIPRESENTE 

Não é difícil adivinhar quais serão os caminhos do rádio. Aliás, esse caminho para o futuro já vem sendo trilhado há alguns anos. Não é novidade para ninguém que as mídias mais tradicionais como o jornal impresso e a TV já migraram para o digital. Estar na internet hoje é obrigatório para todo veículo de comunicação, e com o rádio não poderia ser diferente, e nem teria de ser.  

Quando a internet surgiu e começou a se transformar numa grande concentração de informações e consumo de mídias, diziam que seria o fim da TV e não foi o que aconteceu. Hoje a TV vive em sinergia com a internet, mais recentemente vem enfrentando uma nova batalha chamada streaming de vídeo, e mais uma vez a TV soube correr atrás do prejuízo lançando seu próprio streaming. 

O meio que mais sofre com a entrada da internet é o jornal impresso, ele ainda está se adequando às novas formas de consumo de notícias, veículos estão enxugando suas redações e até mesmo fechando gráficas para se dedicarem exclusivamente ao jornalismo online. É o preço da modernização da comunicação.

O rádio também é um meio que vem sobrevivendo e está conseguindo se destacar em outras formas de se fazer rádio. O formato podcast, por exemplo, não é novidade: surgiu em 2004, nos EUA, e voltou a ganhar força nos últimos anos, no mundo todo e inclusive no Brasil. 

Hoje existem inúmeros podcasts para todos os tipos de público. “O rádio não perdeu força ao longo do tempo com o surgimento das novas mídias, justamente por essa facilidade da transmissão da informação pela internet”, apontou a jornalista e radialista Sarah Mascarenhas, que hoje fomenta a luta feminina através do podcast A hora do Sabbat (confira a entrevista na íntegra no nosso podcast). 

Além do formato de podcast, a internet também possibilitou o surgimento das web rádios, que geralmente são produzidas por pessoas, digamos, sem experiência na área da comunicação, mas que de alguma forma nutrem o desejo de comunicar. Por conta dos podcasts e das web rádios, existem inúmeros temas que podem abordar, desde religião a novas tecnologias, e esse tipo de transmissão permite uma forma de fazer rádio muito mais livre, sem os padrões jornalísticos aos quais estamos acostumados com os grandes veículos. 

Como tudo está convergindo para o digital, as grandes emissoras de rádio da Baixada Santista e do País estão indo além dos sinais AM e FM, marcando presença também na internet. Os ouvintes podem sintonizar suas programações por meio do acesso direto ao site da rádio ou por aplicativos, isso se o veículo disponibilizar. Para as rádios comerciais, a internet trouxe mais um desafio, que é o streaming de música, que está se popularizando entre o público brasileiro. 

E para concorrer com isso, as rádios tem aberto mais formas de o ouvinte participar da programação. Se antes as participações se restringiam apenas às ligações telefônicas, hoje elas acontecem também por meio de mensageiros online e redes sociais, ou seja, mais uma aliança do tradicional com o digital. 

Mas não podemos esquecer que, no Brasil, a internet não é acessível a todos e não está em todos os lugares. Se formos pensar em nível nacional, algumas regiões não têm acesso a esse tipo de mídia e o rádio em seu formato mais tradicional continua tendo uma grande importância social, pois ainda tem um nível de penetração muito grande.


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