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Por Beatriz Santos, Letícia Alves e Luanna Gomes

Promover uma transformação social por meio da produção audiovisual. Este é o objetivo do Instituto Querô, fundado há 15 anos na cidade de Santos. Atualmente, a ONG é considerada uma referência de escola sociocultural de audiovisual, sendo reconhecida pelo renomado UNICEF e documentada pela emissora BBC.

E todo o reconhecimento é merecido: desde 2006, aproximadamente 500 jovens foram capacitados nas chamadas Oficinas Querô, o projeto mais conhecido do Instituto, que já realizou 308 produções audiovisuais, incluindo as da Produtora Querô, e conquistou 96 prêmios, sendo 10 institucionais.

“O propósito do Querô é unir forças geradoras de transformação social e humana de jovens e moradores de comunidades em situação de vulnerabilidade social por meio do audiovisual como instrumento de expressão e encontro com a arte e a cultura. O objetivo maior é que o processo de capacitação seja benéfico e proveitoso para os jovens participantes”, comenta Karoliny Faro, assistente institucional da ONG.

Além as Oficinas Querô, há também outros projetos: Querô na Escola (com cerca de 7.770 alunos sensibilizados, 227 mini metragens produzidos e 1 prêmio conquistado); o Querô Comunidade (com cerca de 115 moradores participantes, 4 filmes produzidos e 2 prêmios); Sessão Pipoca (que atende cerca de 50 crianças mensalmente e já realizou 15 sessões).

 

Ex-aluna na Netflix

O Querô já promoveu transformações em diversas histórias, é o caso de Thayna Mantesso, que trabalhou como co-roteirista para “7 Prisioneiros”, longa da Netflix que estreou dia 11 de novembro de 2021.

Selecionado para o Festival Internacional de Cinema de Veneza, o filme é composto por nomes de peso, como o veterano Rodrigo Santoro e Christian Malheiros, protagonista da série Sintonia (o ator, inclusive, também foi descoberto no Querô, através do longa-metragem Sócrates, o primeiro da Instituição), e direção de Alexandre Moratto.

Além de "7 prisioneiros" e "Sócrates", Thayna também foi roteirista na série de sucesso "Sintonia", da Netflix (2º episódio da 2ª temporada) e na série "Corrida dos Bichos", produzida pela Globoplay (3º episódio da 1ª temporada).

A artista é capacitada pelas Oficinas Querô 2014 (1º ano) e 2015 (2º ano). Em 2016, no longa-metragem "Sócrates", Thayná conheceu Christian e Alexandre Moratto, quando foi convidada logo após sua capacitação no Querô para ser co-roteirista do filme.

 

Produtora e prêmios

Além das oficinas, há também a Produtora Querô, que atua há 13 anos no mercado audiovisual, produzindo diversos trabalhos, que vão desde vídeos institucionais, até projetos para TV e Cinema, e produções autorais de curtas e longas-metragens que promovam impacto social.

Além disso, também atua como Produtora Escola e a cada novo trabalho jovens capacitados nas Oficinas Querô são contratados, gerando trabalho e renda para eles suas famílias e crescimento profissional no meio audiovisual, conquistando novos espaços de expressão para jovens. Criada em 2008 por capacitados na primeira turma das Oficinas Querô (2006), a produtora já realizou mais de 500 vídeos, ganhando 38 prêmios em filmes autorais. 


Entre as obras autorais de forte relevância social estão: o longa-metragem “Sócrates” (2018), ficção que aborda os desafios vividos por milhares de jovens expostos a riscos no Brasil. Estreou mundialmente no LA Film Festival 2018 e conquistou mais de 20 prêmios, além de 3 indicações ao Independent Spirit Awards, o Oscar do Cinema Independente; A série documental “Catavento - Tudo ao Seu Tempo” (2016), sobre combate ao trabalho infantil no Brasil; o documentário “Nau Insensata” (2014), curta-metragem sobre o navio-prisão Raul Soares; e as séries documentais exibidas no Canal Futura “Diz Aí – Extermínio da Juventude Negra” (2013), destacando as lutas de jovens negros no Brasil e “HIV e Daí?” (2013) sobre a vida de jovens soropositivos. 


Atualmente, estão em desenvolvimento o longa-metragem documental “Polacas”, sobre o tráfico de mulheres judias e “Andor Stern” (em processo de finalização), que aborda a trajetória do único brasileiro sobrevivente ao Holocausto.

 

Tempos de pandemia

Por conta da pandemia da covid-19, o Querô passou por adaptações para prosseguir com o atendimento. Após diversas reuniões da equipe em 2020, a alternativa encontrada foi a de realizar os projetos de forma online, por meio de atividades e aulas que focassem em manter a motivação dos jovens participantes do projeto.

Karoliny conta que, nesse processo, uma das maiores dificuldades foi o cansaço de tela causado pela pandemia, devido às muitas horas em frente aos computadores ou smartphones.

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