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Média-metragem resgata memórias afetivas de santistas, que são contadas em forma de poesia

Por Sheyla Martins

A Rodoviária de Santos-SP é uma das mais antigas em operação no País e, além das bagagens físicas que transporta diariamente, tem bagagem de histórias colecionadas ao longo desse meio século de existência. Uma coleção dessas histórias foi registrado no documentário (Des)embarque.

O filme foi produzido por realizadores da Baixada Santista, durante a pandemia, entre janeiro e junho de 2021. Contemplado no 8° edital do Concurso de Apoio a Projetos Culturais Independentes do Município de Santos, com aporte do Fundo de Assistência à Cultura (Facult), foi exibido entre os dias 15 e 22 de junho, na página do Facebook do Cine Art Posto 4 e no canal do YouTube Cultura Santos.

Todo o processo de produção e gravação foi desenvolvido no ambiente online em respeito às medidas restritivas contra o Covid-19, e buscando preservar a saúde dos personagens, na maioria são idosos. Nas filmagens realizadas na rodoviária pós-reforma, houve contato com o público. Imagens de arquivo foram levantadas por meio de pesquisas históricas em diversos locais da Cidade.

Nicole Zadorestki Caroti, 21 anos, co-diretora do documentário, revela que ficou deslumbrada pelo convite para integrar à equipe, pois o projeto conta com a linguagem cultural, pela qual ela tem bastante interesse. “Gosto de ouvir relatos da população. Registrar ao máximo histórias da vida real. Até porque trabalhar com cinema é capturar a vida real, colaborar com o conto”, afirma.

Nicole é formada em Cinema e Audiovisual pelo Instituto Querô, uma instituição sem fins lucrativos, que visa profissionalizar jovens em situação de vulnerabilidade social.

Ela menciona que descobriu sua paixão por documentários e programas jornalísticos dentro dessa formação. “Desde pequena me interesso pela comunicação, ter iniciado minha carreira jovem, com total certeza, colaborou com a produção do documentário”, finaliza.

Luta pela Democracia, Lembranças e Surgimento da TV Litoral

Entre todos os relatos registrados em (Des)embarque, há a história de Jayme Estrela Jr. - o Cebola, que faleceu em 1985, em decorrência da tortura sofrida por causa de sua luta contra a ditadura militar de direita no Brasil, dez anos antes.

A Rodoviária de Santos, antes da reforma, levava o nome de Jayme. Uma homenagem prestada prefeito da época, David Capistrano da Costa Filho. Atualmente, a placa não está no local. Sandra Mara Nogueira Lisboa, viúva do Cebola e José Pedro Nogueira Estrella, seu filho, tentam resgatar essa importante memória.

Logo após a exibição do filme, a vereadora de Santos Débora Camilo (PSOL), entrou com pedido na Câmara Municipal, para recolocação imediata da placa que dá nome ao local.

Outra história interessante envolvendo a rodoviária de Santos é contada pelo  comunicador Cláudio Mussi, que destaca o surgimento da TV Litoral (ou TV Rodoviária) nas instalações da estação, numa das atividades de Lupércio Mussi, seu saudoso pai.

Outros depoimentos que constam no documentário apresentam lembranças, viagens, acontecimentos, símbolos, momentos são compartilhados pelos personagens Geraldo Oliveira Aragão, Elver Savietto, Danilo Alves da Conceição, Sérgio Pardal Freudenthal, Jaqueline Fernández Alves, Júnior Brassaloti, Íris Geiger e Brenno Demarchi.

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