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Ensaio: Investimento social

por Ana Beatriz (texto) e Mariana Santana (texto e fotos) / AES

Durante o isolamento social alguns setores e indústrias foram parciais ou totalmente encerrados, um exemplo é a indústria de cultura e entretenimento. Cinemas, teatros, casas de shows e museus estão fechados, enquanto os eventos literários, festivais e apresentações foram adiados para o segundo semestre de 2020. Mesmo com as limitações nesse ramo há tentativas para que o serviço chegue ao público.

Para quem tem acesso, a internet é o maior facilitador de distribuição de conteúdo. Afinal, diversos serviços são online há tempos, mas nem todos operavam tanto como agora. Nesses tempos de isolamento social por causa da pandemia, comércio, educação, comunicação, trabalho e lazer migraram de vez para o universo virtual. 

Diante dessa nova realidade, o mercado necessita se adequar ou chegará à falência. Um exemplo disso é a oferta de cursos à distância. A modalidade é recente, pois nem todos os consumidores têm o hábito ou confiança em aderir a serviços como esses, mas com a obrigatoriedade esse tipo de comércio ganha cada vez mais adeptos.

O consumo de serviços de entretenimento é uma atividade de lazer de caráter social. Características como localização, renda, religião e estilo de vida influenciam o que é consumido. Há três classificações básicas: cultura erudita, cultura popular e cultura de massa. Todas têm peso histórico, mas a cultura de massa, na atualidade, é a que contabiliza mais acessos e gera renda de forma geral. Cinema, música e eventos de rua oferecem, em sua maioria, um conteúdo massificado. Outro ponto importante são os eventos gratuitos, pois atingem todas as classes sociais e servem de gancho para o consumo pago.   

Mercado pós-Covid-19

De acordo com o levantamento do site ShowMetech, a crise causada pela Covid-19 poderá fazer com que 580 mil pessoas (30% dos colaboradores do setor de eventos) percam seus empregos; 51,9% dos eventos culturais previstos para este ano foram cancelados, adiados ou estão suspensos, mediante o cenário incerto da pandemia, o que pode fazer com que os dados sobre as demissões se torne uma realidade.

O estudo Novo Normal Pós-Covid-19, feito pela agência de conteúdo Mutato, aponta que, assim como acontece em qualquer crise global de saúde, os efeitos da Covid-19 terão três estágios: Surto (marcado pelo período de quarentena, medidas de isolamento, crise no sistema de saúde e novos formatos de relações); Recuperação (contenção da pandemia e redução de casos, aliadas ao surgimento de novas formas de consumo e de responsabilidade social) e o Novo Normal, que estamos prestes a viver a partir do dia 15 de junho, com a retomada de novas rotinas com a ressocialização das pessoas.

A indústria cultural está em constante atualização e uma delas é o crescimento de experiências digitais como festivais de música e eventos online. Um exemplo disso são os artistas brasileiros que realizam shows ao vivo em suas redes sociais, alguns com duração de 16 horas. Esses eventos contam com patrocinadores e a participação de artistas renomados, que seguem em constante sucesso, como a live da cantora Marília Mendonça, que atingiu 54 milhões de exibições pelo YouTube.

O cinema está em primeiro lugar no interesse de consumo cultural do brasileiro. A música e dança aparecem em segundo. Os gêneros mais ouvidos na atualidade é o sertanejo, MPB e o rock, de acordo com a pesquisa feita pela consultoria de cultura e esporte JLeiva, em 2017.

Tendências de consumo

As lives estão em destaque popular, mas outros meios virtuais são cada vez mais acessados, como os tours online por museus e cavernas. Outros exemplos são os jogos de tabuleiro online, YouTubers dando aulas de quadrinhos e educação financeira, dermatologistas ensinando cuidados com a pele e mostrando fakenews sobre o assunto, todos os setores de diferentes serviços se movimentam de forma online para se manter em meio à crise.

Séries e filmes fazem parte do cotidiano, dentre eles há um gênero que se destacou, os animes, consumidos não somente pelos amantes do gênero, mas também pelos admiradores da cultura japonesa. Animes antigos, como os produzidos pelo Studio Ghibli, seguem em alta, e a Netflix tem investido em novas produções.

E o cinema drive-in – onde carros entram em um estacionamento para que os passageiros assistam aos filmes –, popular na década de 1940, apesar de não fazer parte do meio virtual, ressurge como uma forma de manter o distanciamento e experimentar a aceitação do público, como numa sessão recentemente promovida no estacionamento de um shopping de Praia Grande.

Lazer de acesso seletivo

Uma forma de lazer praticada pela classe A que independe da internet são os passeios de lanchas e iates. Esses veículos, além de ocupar os mares, fazem parte de garagens náuticas, que são mais simples e contam com serviço de guarda dos barcos, limpeza e manutenção, ou as marinas, aquelas mais completas, com variados serviços de lazer aos navegantes.

Mário Ricciotti, de 22 anos, funcionário da empresa de higienização e reforma de barcos Ricci Boat Service – Guarujá – revela como é trabalhar na marina: “A marina obedeceu às recomendações do governo e permaneceu fechada, reabrindo após 21 dias, apenas para empresas de serviços gerais, o retorno foi muito bom e com a higienização redobrada. Antes mesmo da pandemia, já trabalhávamos com produtos específicos para diferentes temperaturas e estados de matéria que agem contra fungos, bactérias”.

O funcionário também explica que o uso da máscara é obrigatório em qualquer parte da marina e relembra como foi o encerramento das atividades por causa da pandemia: “Foi um desespero, paramos do nada, sem saber se teria volta, foi complicado para todos, paramos obras pela metade, foi bem assustador”. Sobre a opinião dos donos das lanchas sobre a pandemia, Mário diz que ‘’a demanda aumentou por conta da higienização, mas o lazer continua, ali eles querem se distrair do mundo, além da total segurança do ambiente e o uso de máscaras; eles se divertem e não falam muito sobre pandemia”.

Apesar da volta com mais clientes, Mário disse que alguns dos barcos que ficavam na área de estacionamento marítimo foram vendidos. A crise comercial causada pelo isolamento é o principal motivo, considerando o alto custo que é para se manter um barco.

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