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Ensaio: Transformação de vida

por Victoria Fernandes (texto) e Gabriel de Jesus (imagens) / AES

Com a chegada do novo coronavirus, o Brasil e o mundo tiveram de tomar medidas drásticas para conter a doença: o isolamento social. A quarentena causou uma mudança brusca na rotina das pessoas e acelerou o conceito do “eu” para “nós”. Todos estão sendo forçados a redesenhar suas vidas pelo bem do outro. Abraços, beijos, apertos de mãos e até falar de perto tornaram-se inapropriados por recomendação médica e ganharam um novo significado.

Catarina Gouveia, 65, que sempre teve a família reunida em sua casa, conta que sente muita falta de seus netos, e o que ela mais deseja é poder tocar na barriga de sua neta, que está grávida da sua primeira bisneta: “Estou sempre em contato com todos, eu ligo e mando mensagens todos os dias. Quero poder reunir todos novamente e finalmente sentir aquele bebezinho na barriga da minha neta”, desabafa a dona de casa.

Ao final de uma coletiva de imprensa, no mês de março, o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandeta, afirmou que no fim da pandemia “não haverá vencedor nem perdedor, mas um mundo diferente”. De forma sutil, a mensagem levanta uma questão importante: quando tudo isso acabar, será possível voltar ao normal? É fato que o que era comum ou o que considerávamos normal já não existe mais. Isso pode parecer ruim, mas a busca por novas formas de viver e ver a vida faz parte da humanidade.        

O ser humano está tendo de reaprender a se conectar com o mundo através de telas. As redes sociais têm se firmado como o meio para milhões de pessoas se manterem conectadas com os amigos e familiares. É só desbloquear o celular. Todos os dias, os stories ficam cheios de lives, imagens e mensagens. “A chamada de vídeo é o nosso meio de matar a saudade agora. É uma experiência nova e a única de poder nos aproximarmos, mesmo que virtualmente”, conta a estudante Maria Carolina, de 24 anos.        

 Em entrevista à Rádio França Internacional (RFI), o psicólogo britânico Robin Goodwin diz que as pessoas devem se aproximar e se procurar mais. Ele também acredita que os casamentos podem sair fortalecidos. “Não há dúvidas de que os relacionamentos irão mudar. Haverá inevitáveis tensões, mas também oportunidades de crescimento dos relacionamentos”, comenta. “As pessoas procurarão umas às outras com mais frequência, elas irão depender uma das outras, não apenas para um apoio emocional, mas também em busca de informação”, projeta Goodwin.

Dizer como o mundo será após a pandemia é algo muito difícil. Serão inúmeras transformações que passam pela política, economia, relações sociais, cultura, modelos de negócio, entre outras coisas. O que podemos afirmar é que a valorização de coisas e situações para as quais não olhávamos tanto sofrerá mudanças profundas, pois os pequenos detalhes serão mais importantes. A necessidade de apreciar cada momento ao lado daqueles que amamos irá conduzir nossos próximos passos, fortalecer as mudanças e hábitos das gerações futuras. Gerações que um dia encontrarão nos livros informações sobre a Covid-19 como sendo um grande marco da transformação de toda a humanidade.

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