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por Ravena Cristina e Nicolle Prado / AES

Desde o dia 22 de março de 2020, o Estado de São Paulo está sob decreto (Nº 64.881) de quarentena. E há cerca de quatro meses, o mundo experimenta o isolamento social decorrente da pandemia do novo coronavírus (Covid-19).

Em dezembro do ano passado, diversos portais de notícias já falavam sobre a nova doença que estava assolando a China, mas não era esperada a sua propagação por todo o mundo. O primeiro caso da doença no Brasil foi registrado em fevereiro deste ano, e em março, aconteceu o primeiro óbito. Atualmente, temos cerca de 500 mil infectados e quase 40 mil mortes.

O isolamento social mudou as relações de afeto, e de repente, um beijo, um abraço caloroso e uma visita inesperada se tornaram motivos de preocupação. O que antes era considerado uma demonstração de carinho, hoje é de irresponsabilidade.

Festas de casamento, formaturas, shows, festivais e viagens foram adiados. Pessoas estão há meses sem ver entes queridos, sejam eles ligados por laços sanguíneos ou não. Muitos trabalhos presenciais se tornaram home office, enquanto a taxa de desemprego aumenta no Brasil. E por trás disso tudo há uma verdade latente: nós não estávamos preparados.

Os problemas psicológicos afloraram neste período e pessoas, antes consideradas psicologicamente saudáveis, começaram a desenvolver distúrbios como depressão, estresse, imperatividade, ansiedade e outros.

Todo mundo foi afetado de algum modo pelo novo coronavírus. “Com o cenário atual causado pela pandemia, já estamos percebendo as consequências psicológicas e emocionais do isolamento. Estamos observando pessoas demonstrando sinais de ansiedade ou até alguns sintomas depressivos, por não saberem até quando isso vai durar, não terem total controle sobre suas próprias escolhas, além de todas as preocupações e impactos consequentes do momento”, relata a psicóloga Marilia Costa Passari.

“O fato de estarmos nos sentindo presos dentro de casa, muitas vezes sozinhos, pode causar uma sensação de improdutividade, desânimo ou tristeza, pois nem sempre é fácil aceitar e se adaptar a essa nova realidade: como trabalhar em casa, ajudar os filhos com atividades da escola, estar em contato com notícias desanimadoras e preocupantes diariamente, e ainda se preocupar com todos os cuidados para se prevenir do contágio. O próprio estresse também tem aumentado por estarmos nesse momento aversivo, e conviver com a família de forma mais intensa também pode ser difícil e causar mais conflitos”, continua a psicóloga.

Além de todas as questões já citadas acima, que têm de algum modo atingido a população, há também a doença causada pelo novo coronavírus, que está atingindo as famílias, os negócios e os postos de trabalho.

“Temos pessoas afetadas mais diretamente pelo vírus, que estão vivendo o luto por terem perdido alguém próximo para a doença sem nem poder se despedir adequadamente; ou afetados pelos impactos econômicos provenientes do momento, como perda de emprego ou fechamento dos negócios”, diz Marilia.

O que esperar para o fim da quarentena?

Apesar de todos os contratempos, muitas pessoas se mantêm positivas para o final do período de isolamento. Em uma pesquisa realizada através de redes sociais, foram coletados alguns depoimentos referentes às expectativas e mudanças para a vida pós pandemia.

“Se fosse para mudar algo, diria que haverá uma maior valorização e seletividade. As pessoas não dirão sim ou não imediatamente – para convites de festas, baladas, igrejas e afins –, mas farão uma reflexão maior sobre tudo isso. Mas para a grande maioria, por diversos motivos, não acredito que irá mudar alguma coisa, principalmente pelo desrespeito ao isolamento social”, diz o educador físico Pedro Lopes, em crítica ao desrespeito do isolamento social, que está abaixo da média em diversas regiões do País.

Para a Gestora Pública Emily Nascimento, a expectativa é de que tudo seja mais intenso: “Quem gosta de sair, não vai deixar passar um fim de semana, assim como quem gosta de ir à igreja. E as pessoas darão mais valor para os abraços e aos encontros de família”, diz, acrescentando que acredita que as pessoas terão certo receio por um determinado tempo.

O estudante Murilo Dias comenta que, inicialmente, crê que as pessoas serão mais cautelosas e que após isso, chegará um momento parecido com o antes da pandemia (mas não igual): “Este período remete a muita desgraça, então acho que inconsequentemente, as pessoas tentarão se afastar disso”.

Algumas pessoas entrevistadas acreditam no receio e na cautela inicial, e que a vida não será como era antes; que muita coisa mudará em relação as relações interpessoais e afetivas; que os negócios serão abertos com limite de pessoas e distanciamento social, a frequência de lugares que possuem aglomeração, como shows, baladas e cinemas. “Para nós, adultos, não mudará tanto, porém para os mais novos, será um tremendo choque, pois os pais mais controladores irão prender os seus filhos, proibindo-os de ir à lugares mais cheios”, relata o formando de Publicidade e Propaganda Matheus Marques.

Para outros, há a expectativa de os brasileiros adquirirem novos hábitos de higiene e saúde, e que o uso de máscaras e álcool em gel seja permanente. Um exemplo dado foi: se estou com uma simples gripe, irei sair de máscara para que outras pessoas não sejam contaminadas. Hábitos que outros países já exercem.

Finalizando a pesquisa, Marilia Passari relatou quais são suas expectativas para o findar este período que estamos vivendo: “Acredito que será comum recebermos nos consultórios mais pessoas com sinais de ansiedade ou depressão, com muitas dúvidas ou até certa desesperança no futuro, por isso, nós profissionais precisamos estar preparados e atualizados. Além disso, vermos que temos a necessidade de nos adaptarmos cada vez mais ao atendimento online, pois esta já está sendo uma alternativa muito válida e importante nessa nova realidade, que encurta distâncias e não deixa de dar o suporte necessário, mesmo que de longe”, finaliza.

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