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GONZAGA, SANTOS - SP - 02/12/2020: A pintora Maria Inês Veríssimo regressa hoje a vender seus quadros, no Gonzaga,
após meses em quarentena. Foto: Gabriella Amâncio/AES

Por Letícia Alves (texto) e Gabriella Amâncio (fotografia), da AES

A pandemia do novo Coronavírus chegou de surpresa, fazendo com que diversos setores pensassem em novas formas de existência. E com a classe artística não foi diferente: músicos, pintores, dançarinos e artesãos precisaram se reinventar diante da quarentena imposta pelo Ministério da Saúde, em meados de março.

Com o início do alastramento da doença no Brasil no começo do ano, a maior parte do comércio foi fechada. Por conta da chamada “faixa vermelha” do Plano São Paulo, apenas os serviços essenciais mantiveram suas portas abertas, como farmácias e supermercados. Nesse momento, surge o primeiro impasse para os artistas, a partir da dificuldade de alcançar o público.                     

“Os primeiros meses da quarentena foram bem difíceis, porque a gente não podia ensaiar, estava tudo fechado – e tudo bem por isso – e não tínhamos estrutura [para ensaiar]. Somos uma banda muito nova”, comenta Andreia Doria, baixista da banda O Último Banco do Bar, em entrevista para a Agência Experimental ESAMC Santos.

Formada em 2017, na cidade de São Vicente, a banda de rock também é composta por Bruno Botelho (vocalista), Sam Faiad (guitarrista), Guilherme Zikan (baterista) e David Rocha (tecladista). O quinteto passou por momentos desafiadores nos últimos meses, tanto por conta do fechamento do estúdio no qual ensaiam, como pela impossibilidade de reproduzir suas músicas ao vivo.

Por outro lado, 2020 também foi um ano emblemático para a estrutura da banda e para o início de novos projetos. “No meio dessa loucura, o David (tecladista) entrou para a banda. Depois, começamos a conversar e surgiram novas ideias e possibilidades, como as lives. Também começamos a pensar em um novo projeto e demos uma animada”, complementa a baixista.

Andreia também comenta sobre a importância do apoio que recebeu do pai, nos meses em que o estúdio, em Santos, manteve-se fechado. “Contamos com um apoio muito grande do meu pai – que trabalha com som e também tem uma banda – que no meio da pandemia resolveu montar um home studio para que a gente pudesse tocar. Fomos criando e assim foi surgindo um álbum, que é o que temos trabalhado desde então.”

Com o afrouxamento das medidas de proteção, diversos locais retomaram as atividades, incluindo o estúdio de ensaio do grupo. Sem dúvidas, O Último Banco do Bar passou por uma espécie de montanha-russa e compreendeu, mais do que nunca, a importância da parceria neste momento. “O nosso processo criativo passou por um momento no qual estávamos desiludidos em relação a tudo. Depois, ganhamos um suporte e, em seguida, voltamos a ensaiar [em home studio] e as coisas foram voltando, como o estúdio em que ensaiamos. E é isso que temos feito: ensaiado e trabalhado no novo álbum.”

Se o setor musical marcou presença nas redes sociais com apresentações em lives, a internet também foi muito importante para artesãos em geral. O engenheiro e artesão Matheus, morador de Guarujá, relata que, durante a quarentena, manteve as vendas online, além de ter outros meios de renda. Então, para ele, o isolamento não foi tão prejudicial. “Paramos as vendas aqui por cerca de três meses, desde então, vendia online para não parar, além das outras formas de renda que tenho, então, para mim foi bem tranquilo.”

Com a retomada das atividades nesta nova fase da pandemia, muitos artistas voltaram a apresentar seus trabalhos nas ruas. Foi o caso da pintora Maria Inês Veríssimo, que retornou à rotina de trabalho vendendo seus quadros junto a seu marido no Gonzaga, em Santos, após meses em quarentena. “Conseguimos nos manter por um tempo com o auxílio dado pelo governo, hoje voltamos, com todo cuidado”, explica Maria Inês.

Vale ressaltar que apenas no mês de setembro, a classe artística passou a receber o auxílio-emergencial do governo federal brasileiro. O benefício contou com três parcelas no valor de R$ 600. A Secretaria Nacional da Cultura liberou cerca de R$ 3 bilhões, destinados para estados e municípios. Este valor foi direcionado tanto para apoio aos artistas autônomos como para espaços artísticos culturais.

Por fim, apesar do retorno de diversas atividades artísticas, é importante lembrar que a pandemia ainda não chegou ao fim. Atualmente, o Brasil alcançou a triste margem de 175 mil vidas perdidas em decorrer da covid-19, portanto, é preciso cautela da sociedade como um todo.

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