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Por Jaqueline Nunes

Em 1º de abril de 1964, os militares de direita tomam o poder no País para "salvar o Brasil’’ dos comunistas, e intentam influenciar a opinião pública ao censurar a imprensa e os opositores políticos, que trazem relatos de violência extrema por parte do novo governo. Mas graças aos livros, jornalistas e pesquisadores, o Brasil entendeu o que é viver sem liberdade.  

Hoje, apesar de todos os avanços tecnológicos e nas comunicações, vemos uma série de certezas sendo colocadas em dúvida, cientistas sendo questionados pelo seu trabalho que sempre foi eficaz e importante, além de uma onda de intolerância política e religiosa cada vez mais forte e preocupante. Tudo isso nos leva a crer que, nesse momento, o único inimigo da liberdade de expressão no Brasil é o próprio brasileiro. 

Logo percebe-se que, ao invés de libertar, a comunicação virtual dá cada vez mais margem para que a violência seja colocada como “livre expressão”, gerando debates sobre o incontestável. Ainda que por outros meios, foi exatamente o que aconteceu nos anos de chumbo (ou anos de milagre - como o governo militar se referia ao período no Brasil).  

No livro “Cova 312”, da jornalista Daniela Arbex, é fácil estabelecer pontes com o momento social atual. A história real traz o mistério da morte de um militante jovem, de ideais fortes e vindo de família humilde: o gaúcho Milton Soares de Castro - que, a 28 de abril de 1967, supostamente se suicidou – aprendeu a usar armas para se defender de quem deveria proteger: o governo. 

Desde 2018, há um monstro fortalecido pelo clima político que assombra a democracia de hoje, paira sobre o nosso país e tragicamente levou e ainda leva consigo muita gente que já flerta com o extremismo conservador. Em linhas gerais, o que se vê  nas redes sociais, em cada comentário sobre qualquer assunto digergente, não são ideias e sim ofensas por parte de quem pensa diferente.  

É nessa base que é possível encontrar a ponte “ditadura – tempos atuais”, mas muitos não se dão conta de que mais perigoso que uma suposta ameaça esquerdista ou uma temida “imposição de valores” (em referência à ascensão da comunidade LBTQIA+ e o projeto de educação sexual nas escolas), é perder o direito de ter voz e diálogo pautado em argumentos e conversas plausíveis, principalmente no ambiente digital.  

Muito mais importante do que “isso a Globo não mostra” é ir além das bolhas, ouvir todos os lados, desconfiar de comunicações agressivas que nada tem a ver com informação, e logo, poder formar uma opinião consistente e respeitosa. 

Porém, levando em consideração que vivemos no Brasil e ao qual podemos chamar de "país do flashback", a saudade de bater no peito e dizer que a ditadura militar foi o melhor tempo que a nossa história já viveu certamente é o que nos distanciará da real liberdade de expressão, de viver sem preconceitos e da valorização da vida. 

Textos - Reportagens Shift
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