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por Beatriz Santos

“Radicais, extravagantes e excêntricas”. Assim que as mulheres modernistas eram vistas pela sociedade tradicionalista do século 20. Ao romperem os padrões femininos, tendo comportamentos vistos como “inadequados”, como por exemplo, viajarem sozinhas, se separarem do marido, frequentar bares ou até mesmo praticarem algum esporte, eram consideradas loucas e descontroladas, chegando a serem comparadas com mulheres que eram interditadas em hospícios.

As mulheres modernistas não queriam apenas quebrar os paradigmas de que o sexo feminino nasceu exclusivamente para casar, ter filhos e constituir uma família, vivendo para sempre como uma dona de casa; elas queriam a emancipação feminina. Conquistar seu espaço no mercado de trabalho era primordial, pois traria a independência dos homens, a autossuficiência e, claro, os mesmos direitos que o sexo oposto possuía.

A Semana de Arte Moderna contou com a participação de algumas dessas mulheres que contribuíram para uma grande evolução na história cultural do Brasil. Ocorrido entre 11 e 17 de fevereiro, o evento trouxe obras de Anita Malfatti e Zina Aita - grandes nomes do modernismo. Um pouco mais tarde, o movimento teria a participação de outra grande pintora, Tarsila do Amaral, que traduziu o pictoricamente as ideias dos intelectais modernistas.

Essas mulheres foram as pioneiras ao usarem técnicas artísticas e temas que, na época, não eram vistos com bons olhos pela sociedade. Elas provocaram mudanças no comportamento feminino que só foram sentidas anos depois.

Anita Malfatti – Foi a primeira modernista a fazer uma exposição no Brasil, antes mesmo de muitos homens. Anita não utilizava de suas pinturas para expor paisagens ou temas religiosos. Ela pintava nus masculinos com traços femininos. Foi duramente criticada pelos jornalistas daquela época, principalmente por Monteiro Lobato, que àquela altura ainda não era escritor das famosas histórias infantis. E foram através de criticas como as de Lobato que Anita se sentiu impulsionada a se juntar a outros modernistas para defender as ideias do movimento. “O clima de aprovação e aversão do modernismo provocou uma mudança notória no comportamento da sociedade brasileira. A Semana de Arte Moderna foi responsável pela construção da modernidade no Brasil”, afirma Maria Eugênia Boaventura, professora de teoria literária da Universidade de Campinas.

Zina Aita - Ao longo da vida, Zina trabalhou com várias linguagens e técnicas: óleo sobre tela, aquarelas, tapeçaria, cerâmica e desenho. Sua formação aconteceu na Itália, mais propriamente em Roma, Florença e Veneza. Mas foi com uma exposição individual realizada no Rio de Janeiro, e também em Belo Horizonte, em 1920, que a artista entrou para o circuito modernista brasileiro. A prova da sua importância é a participação na Semana de Arte Moderna, com oito obras. Aita também representa um símbolo importante para a inserção do movimento modernista na sociedade.

Tarsila do Amaral – Tarsila possui obras importantíssimas em seu acervo, mas foi com a pintura "A negra" (1923), que se filiou de vez ao modernismo. De 1920 a 1922, estudou na Académie Julian, em Paris. Acabou não participando da Semana de Arte Moderna de 1922, já que estava na França quando o evento ocorreu. Durante suas fases Pau-Brasil (1924-1928) e Antropofágica (1928-1930), a artista esteve completamente voltada para o movimento modernista brasileiro, quando produziu obras como: "Carnaval em Madureira" (1924) e "Abaporu" (1928). 

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