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Por Davi da Costa Oliveira

Lembro-me que desde 2013 eu já havia escolhido minha profissão. Queria ser jornalista. Cobrir eventos, viajar em busca de pautas, dormir mal, produzir vários textos em uma única noite. Era esse meu objetivo. Entrei para a faculdade um ano após concluir o Ensino Médio, em 2016.

Entretanto, ao longo do primeiro ano de curso, me senti longe da profissão, bastante o suficiente para me questionar sobre meu futuro na área. Mas no ano seguinte, cansado de esperar, decidi aperfeiçoar meus textos, até que um dia entrei num curso de produção literária — O Conto Como Perspectiva Para O Romance —, e fui surpreendido pelo professor. Javier Arancibia Contreras era formado em Jornalismo, até que um dia largou a profissão e decidiu virar escritor. Ele foi meu primeiro contato com o jornalismo, e um exemplo dos inúmeros caminhos para minha futura carreira.

Depois de alguns meses desse primeiro contato, conheci um professor que viveu e ainda vive o jornalismo puramente como ele é, professor Claudio Vitor Vaz. Ele convidou toda a turma da matéria de Agência de Notícias para visitar a redação e gráfica do jornal A Tribuna, bastante conhecido na região santista. Quando cheguei ao prédio da redação, me vi entrando num espaço do qual não me imaginaria dentro, por mais que me dedique e creia no meu bom profissionalismo, sei das minhas limitações. Mas de certa forma, naquele dia em especial, eu e meus colegas fizemos parte do jornal.

Busquei notar qualquer gesto dos jornalistas presentes. Prestei atenção em como diagramavam e quais programas usavam, onde gravavam as lives que iam ao ar no Facebook do jornal, etc. No segundo andar da redação fiquei maravilhado com a facilidade como um jornalista escrevia. O homem aparentava uns 50 anos, digo isso pelo seu cabelo grisalho.

Ele escrevia com uma fluidez tão natural que me causou inveja. Enquanto meus colegas prestavam atenção no discurso da editora-chefe Arminda Augusta, eu fui ao lado e observei como aquele jornalista escrevia. Acostumei-me em apagar somente metade das frases, ou as palavras que estragavam os textos de minha autoria, desde aquele dia não faço mais isso e repito o processo do jornalista. O homem grisalho apagava toda frase e refazia, ficava nesse processo até deixar o texto num padrão que lhe agradava. Desde então tento repetir esse processo em meus textos. Além disso, quando fui ao andar seguinte, pude conhecer outro jornalista, mas neste caso, eu conversei com ele. No começo ele, Stevens Standke, falou sobre a profissão e seu trabalho em A Tribuna. Ouvia seu discurso atentamente, até que ele me surpreendeu e disse “Sou responsável pela página da AT Games. Já fui para Los Angeles cobrir a E3 pelo jornal”. Não imaginaria conhecer um redator voltado para o segmento de games.

Após essa revelação, comecei a conversar com ele. Meus amigos ficavam lá contemplando-o, eu não. Fiz perguntas, questionei-o. “Você foi para a E3 e como foi?”

perguntei. “Muitos pensam que nós vamos lá, jogamos e nos divertimos. Mas não é bem assim”.

Ele narrou seu dia-a-dia, suas experiências marcantes. Imaginei-me nessa rotina, fiquei fascinado e ansioso. Até que me vi conversando com Stevens sobre o mercado atual e o futuro dos games, um papo descontraído e informal. Após a visita à redação, percorremos algumas quadras até a gráfica do jornal. Não fiquei por muito tempo, pois tinha horário para voltar, mas me apaixonei instantaneamente. O cheiro de tinta e papel exalava por toda a gráfica, um cheiro que muito me lembrava livros novos. Vi tudo por pouco tempo e fui embora.

Já repousado em minha cama, estava mais certo do que nunca da minha profissão escolhida. A visita me serviu como aprendizado, e também um jeito de me revitalizar para mais alguns anos na faculdade. E ao longo desses três anos na faculdade, irei aprimorar minha escrita, para quem sabe um dia escrever tão bem quanto o jornalista de cabelos grisalhos ou cobrir eventos fora do país como o Stevens.

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