Adolescentes, adultos e o autismo: o que precisamos entender sobre o TEA

Por Yasmin Cristini

Tatiana Lopes, especialista em Análise do Comportamento Aplicada | Foto: AES

“Autismo não é doença, doença é catapora”, destacou, com leveza, a psicóloga Tatiana Lopes, especialista em Análise do Comportamento Aplicada (ABA) e cofundadora da clínica GADI (Grupo de Avaliação Diagnóstica e Intervenção), em palestra para alunos da ESAMC Santos. O encontro abriu a 2ª Semana de Psicologia, no dia 9, terça-feira.

O estudo do TEA (Transtorno do Espectro Autista) ao longo da vida mostra que cada fase apresenta características próprias e exige formas específicas de acompanhamento.

A compreensão desses aspectos contribui para diagnósticos mais precisos e para o desenvolvimento de estratégias adequadas em cada etapa, por isso na atualidade surgiram pessoas como Tatiana, que se especializaram no assunto, para assim garantir um futuro com mais equidade.

Nos últimos dois anos, houve um aumento de 15% nos diagnósticos de Transtorno do Espectro Autista (TEA). Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês), atualmente, uma em cada 31 crianças nasce com TEA. O órgão também estima que, ao longo da vida, pelo menos 1% da população esteja dentro do espectro, diagnosticada ou não.

O processo de avaliação não se resume a um teste rápido. Ele envolve uma análise detalhada de fatores como comportamentos repetitivos, habilidades sociais, movimentos estereotipados e ecolalia — sons ou frases repetidos como forma de autoregulação.

“Não existe teste de uma hora, é necessário um estudo avançado e uma avaliação cuidadosa”, reforçou a Tatiana.

A palestra também levou os alunos a reflexões sobre como o TEA se manifesta em diferentes fases da vida. Na adolescência, período entre 12 e 18 anos, muitos jovens ainda não receberam diagnóstico ou acesso a terapias adequadas. Os sinais mais comuns nessa etapa incluem seletividade alimentar, sensibilidade a sons, dificuldades em realizar atividades do dia a dia e desafios sociais. É também nessa fase que o isolamento pode se intensificar, levando muitos adolescentes a desenvolver hiperfoco em jogos eletrônicos.

“É necessário entender que toda pessoa com TEA é diferente da outra, são indivíduos completamente heterogêneos”, pontuou a psicóloga.

Na vida adulta, os desafios ganham novas nuances. O diagnóstico se torna mais difícil, mas não impossível. Entre os adultos, especialmente mulheres, o chamado masking é frequente: trata-se da habilidade de observar e aprender como se comportar socialmente para “mascarar” características do espectro. Apesar dessa adaptação, dificuldades de concentração, socialização, flexibilidade diante de mudanças e compreensão de ironias ou metáforas permanecem presentes. Esses fatores podem limitar a autonomia e impactar a permanência no mercado de trabalho.

Segundo a especialista, compreender o TEA na vida adulta exige sensibilidade. A inclusão social, portanto, não deve se limitar a preparar a pessoa para se encaixar em um ambiente rígido, mas sim transformar os espaços para que se tornem acessíveis e acolhedores.

“Inclusão social não é preparar uma pessoa para um ambiente, e sim um ambiente para receber uma pessoa”, concluiu a especialista.