Autismo na adolescência e na vida adulta: desafios e possibilidades

Por Luana Marzochi

Tatiana Lopes, psicóloga comportamental | Foto: AES

Falar sobre autismo ainda desperta muitas dúvidas, preconceitos e até mesmo mitos. Mas, cada vez mais, descobrimos que compreender o Transtorno do Espectro Autista (TEA) é abrir espaço para enxergar as pessoas além do diagnóstico. Foi com essa sensibilidade que a psicóloga comportamental Tatiana Lopes, fundadora da Clínica GADI (Grupo de Avaliação Diagnóstica e Intervenção), conduziu uma palestra sobre os desafios e possibilidades do autismo na adolescência e na vida adulta, no dia 9, terça-feira, na ESAMC Santos, abrindo a 2ª Semana de Psicologia.

Ela lembrou que o autismo, descrito inicialmente pelo psiquiatra Leo Kanner nos anos 1940, é um transtorno do desenvolvimento humano que pode se apresentar em diferentes níveis, sendo leve, moderado ou grave. A principal característica está na forma como a pessoa se comunica e interage socialmente, junto com os padrões de comportamento repetitivos e interesses muito específicos.

Hoje, o diagnóstico segue os critérios do DSM-5, que unificou classificações antigas e trouxe mais clareza sobre o espectro. Ainda assim, como destacou Tatiana, compreender o autismo vai além de manuais: é fundamental diferenciar independência de autonomia, porque cada pessoa pode precisar de apoios distintos para viver com qualidade.

No Brasil, não temos dados oficiais sobre a incidência de TEA, mas estudos internacionais ajudam a dar uma ideia do cenário. Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), nos Estados Unidos, um em cada 31 nascimentos resulta em diagnóstico de autismo. Esses números mostram a importância de se falar sobre o tema com naturalidade e de forma inclusiva.

Entre os principais sinais, Tatiana destacou alguns pontos importantes:

  • Comunicação social: dificuldades tanto na compreensão da linguagem quanto na expressão;
  • Comportamentos repetitivos e interesses restritos: focos intensos em determinados temas ou atividades;
  • Estereotipias: movimentos como bater os pés, estralar os dedos ou girar objetos;
  • Alterações sensoriais: hipersensibilidade ou baixa resposta a estímulos de tato, paladar, visão, audição e até nos sistemas proprioceptivo e vestibular (responsáveis pela noção de corpo e equilíbrio).

Um detalhe especial levantado pela psicóloga foi sobre o diagnóstico em mulheres. Muitas desenvolvem o chamado “masking”, uma habilidade de camuflar comportamentos para se encaixar socialmente. Isso, apesar de parecer positivo, pode atrasar a identificação do autismo e gerar sobrecarga física e emocional.

A boa notícia é que, junto dos desafios, também existem muitas possibilidades. Hoje sabemos que, com acompanhamento adequado, rede de apoio e respeito às diferenças, pessoas autistas podem desenvolver seus potenciais e trilhar caminhos de realização pessoal e profissional.

Como concluiu Tatiana, mais do que olhar para o rótulo, precisamos olhar para o ser humano: cada pessoa no espectro é única, com sua forma de ver e sentir o mundo. A missão da sociedade é construir espaços mais acolhedores, onde a diversidade não apenas seja aceita, mas celebrada.