Autismo – Reflexão e conhecimento na atualidade

Por Giulia Minerva

Começou, nesta terça-feira, dia 9 de setembro, a Semana de Psicologia da ESAMC Santos, na Ponta da Praia, em Santos. O evento traz psicólogos, professores e profissionais da área da saúde mental e comportamental, com o objetivo de realizar palestras para que os alunos, de Psicologia ou não, tenham acesso a informações e tendências que refletem no dia a dia da sociedade.

A psicóloga Tatiana Lopes, sócia e fundadora da clínica GADI (Grupo de Avaliação Diagnóstica e Intervenção) falou sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) na adolescência e na vida adulta.

Ela abordou os primeiros estudos sobre o espectro, feitos pioneiramente pelo psiquiatra austríaco Léo Kanner, que estudava o comportamento e as características de um determinado grupo da sociedade. Graças a ele, em 1943, o autismo foi reconhecido e passou a fazer parte dos temas estudados pela psicologia e psicanálise.

Brevemente, Tatiana citou a participação de Hans Asperger nas classificações do que seriam os “tipos de autismo”, mais tarde reestudados e entendidos como diferentes níveis do espectro, que nomeava e caracterizava o transtorno como um só: Transtorno do Espectro Autista.

De acordo com o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos), 1% da população mundial está dentro do espectro, e muitos dos estudos brasileiros a respeito do TEA são baseados em análises e pesquisas do exterior – apesar de termos no País grandes nomes como Zilda e Almir Del Prette, psicólogos que há 40 anos estudam a área de habilidades sociais e competência social.

Segundo Tatiana, muitos profissionais se especializam apenas no atendimento infantil, o que gera uma lacuna no acompanhamento de jovens e adultos. Ela destacou que, no Brasil, o autismo é negligenciado a partir da adolescência, e que as estereotipias, as crises sensoriais e os desafios no desenvolvimento sociocomportamental tendem a se intensificar nessa fase de grandes mudanças hormonais, sociais e emocionais.

A falta de reconhecimento e de acompanhamento especializado durante a adolescência pode resultar em adultos que não conseguem se inserir em diferentes espaços da sociedade, porque não receberam intervenções adequadas quando jovens.

Tatiana enfatizou que o ambiente de trabalho ainda não está preparado para acolher pessoas com TEA, especialmente aquelas que não tiveram diagnóstico precoce ou suporte durante a juventude. Muitos adultos enfrentam preconceito, ausência de adaptações e falta de compreensão por parte de gestores e colegas, o que contribui para quadros de ansiedade, depressão e dificuldades de permanência no emprego.

Outra característica revelada durante a palestra é a de que o autismo impacta de maneira diferente homens e mulheres, e que sinais de autismo podem se tornar mais difíceis de identificar em meninas, já que muitas delas utilizam o chamado masking – estratégia de camuflagem em que a pessoa aprende a imitar comportamentos sociais esperados, para esconder características de autismo, como evitar contato visual, modular expressões faciais ou controlar movimentos repetitivos.

Embora o masking possa facilitar a adaptação em alguns contextos sociais, também gera exaustão e sofrimento psicológico, já que a pessoa precisa sustentar uma imagem que não corresponde ao seu funcionamento natural.