Como é descobrir o TEA na fase adulta? 

Por Thamyres Generoso 

Tatiana Lopes, psicóloga comportamental | Foto: AES

A geração adulta atual tem debatido mais sobre esse fenômeno

O Transtorno do Espectro Autista (TEA), por muito tempo associado apenas à infância, vem sendo cada vez mais discutido e identificado também na fase adulta. Esse movimento é resultado de um olhar mais atento para a diversidade neurológica e para os impactos do diagnóstico — tardio ou não — sobre a vida cotidiana de milhares de pessoas.

Entre os pontos de destaque estão as atividades de vida diária (AVDs), que podem sofrer alterações significativas em pessoas dentro do espectro. Afinal, ao contrário do que muitos ainda acreditam, não temos apenas cinco sentidos, mas sete — incluindo o vestibular (equilíbrio e noção de movimento) e o interoceptivo (percepção interna do corpo). Essas diferenças sensoriais influenciam diretamente na forma como indivíduos autistas experimentam e respondem ao mundo.

Outro aspecto é a tendência de hipervalorização de ideias, que muitas vezes gera a desvalorização de pensamentos divergentes, criando um padrão rígido de visão e expressão, que muitas vezes isolam o paciente de uma interação completa. 

A questão de gênero no diagnóstico

A incidência genética do TEA é predominantemente masculina, o que historicamente levou a uma maior facilidade de diagnóstico em homens. Já entre mulheres, os sinais são frequentemente mascarados. Esse fenômeno, conhecido como masking feminino, envolve ensaiar no espelho, durante o banho ou em casa, expressões e comportamentos para se encaixar socialmente em diferentes ambientes. Embora seja uma estratégia de adaptação, resulta em um alto desgaste físico e emocional, deixando a pessoa constantemente exausta.

Válido embasar também que, apesar do diagnóstico masculino ser mais comum, é notório que não há uma busca constante desse público com o cuidado da saúde em geral, e por este motivo há uma grande morosidade no tratamento do espectro. Por outro lado, o público feminino reforça a importância desse tratamento, promovendo políticas públicas diárias, como o colar de girassol, iniciativa de Flávia Callafange, mãe de uma filha autista. 

Números e tabus

Estima-se que 0,9% da população brasileira estejam dentro do espectro autista, diagnosticada ou não. Esse número reforça a importância de ampliar o debate e combater os tabus ainda existentes.

A busca por maior visibilidade se tornou, inclusive, parte de um movimento de militância que pressiona por políticas públicas específicas. A especialista em Psicologia Comportamental Tatiana Lopes avalia que esse movimento é crucial, mas ainda insuficiente. É preciso ampliar os debates e espaços físicos de acolhimento, garantindo uma inclusão real e favorável para pessoas neurodivergentes. 

Tatiana abordou o assunto em palestra dentro da Semana de Psicologia, realizada na faculdade ESAMC Santos, dia 9 de setembro (terça-feira), seguida de debate sobre o tema. A estudante do primeiro semestre de Psicologia Kelly Bessa destacou a importância de discutir esse tema na faculdade: “O assunto é de extrema relevância. E poder ter esse conhecimento rico em detalhes faz com que eu, aluna, veja na prática como é vivenciar minha futura profissão.”