Por Emanuelle Oliveira

Na noite desta terça-feira (9), a ESAMC Santos foi palco da primeira palestra da 2ª Semana de Psicologia, sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Quem conduziu a palestra foi a psicóloga comportamental Tatiana Lopes, especialista em transtornos do neurodesenvolvimento e integrante da clínica GADI – Grupo de Avaliação Diagnóstica e Intervenção.
Segundo a Tatiana, o TEA foi reconhecido pela primeira vez em 1943, a partir dos estudos realizados por Leo Kanner, que também percebeu que este grupo de pessoas possuía dificuldade de interagir socialmente, “na época, não existia um nome para isso”, conta a palestrante. Tatiana aponta que, quando falamos de TEA, não é uma doença, porque é um transtorno do neurodesenvolvimento humano, que a avaliação exige uma análise detalhada, pois não apresenta características físicas, consiste em instrumentos de rastreio, entrevistas e testes.
A psicóloga reforça que o TEA não é uma doença, mas uma condição neurológica que acompanha a pessoa por toda a vida, e explica que, nos dias atuais, não é utilizado mais o termo “tipos de autismo”, mas “nível de suporte do autismo”. São três níveis de suporte: o primeiro é o nível leve, pois precisa de pouco suporte; o moderado precisa de suporte freqüente; e o terceiro, o elevado, demanda um suporte integral, geralmente associado a comorbidades intelectuais. Tatiana destacou que a comunicação não se refere somente à fala: “A linguagem expressiva é a capacidade de se colocar no mundo e a linguagem receptiva, é a compreensão de informações, as duas são fundamentais para entender os desafios vividos pelas pessoas no espectro”.
Em 98% dos casos, as alterações no processamento sensorial são comuns. A psicóloga explica que o cérebro pode apresentar hipersensibilidade, quando estímulos como sons e toques causam desconforto, ou hipossensibilidade, quando há baixa percepção de dor e risco. Outros sinais abordados foram as estereotipias, movimentos repetitivos que auxiliam na autorregulação, e a ecolalia, caracterizada pela repetição involuntária de palavras ou frases.
Segundo Tatiana, o fator genético é o principal associado à condição, e o único fator ambiental reconhecido ocorre no período intrauterino. Tatiana defendeu que, apesar dos desafios, o conhecimento e o acolhimento ampliam as possibilidades de desenvolvimento. “Com informação, conseguimos respeitar as diferenças e criar estratégias para potencializar a autonomia de cada indivíduo”, destacou.
A psicóloga também ressaltou como o autismo se comporta na adolescência e na vida adulta, com sinais que podem ajudar a identificar o transtorno durante esse período. Ela também explicou que, muitas vezes, adolescentes e adultos no espectro chegam ao diagnóstico muito tarde. Por isso, compreender todos os sinais é essencial para oferecer o suporte adequado e garantir inclusão social e educacional.
