O Autismo, o combate as adversidades e a esperança de uma inclusão concreta

Por Vitor Hugo Blanco

Tatiana Lopes, psicóloga comportamental | Foto: AES

Na noite de terça (9), a ESAMC Santos recebeu a psicóloga comportamental Tatiana Lopes, com o tema Autismo na adolescência e vida adulta, abrindo a segunda edição da Semana de Psicologia na faculdade.

O autismo é cada vez mais diagnosticado. Os incidentes de diagnósticos tardios tiveram um aumento significativo no Brasil e no mundo, também pela melhora nos processos de análises neuropsicológicos.

Mesmo com tal fato, Tatiana destaca que ainda há muito a se conquistar em relação à compreensão da sociedade sobre o espectro, principalmente em tempos de necessidade de inclusões concretas, e em mercados cada vez mais dinâmicos.

Mesmo com características em comum, cada pessoa dentro do espectro demonstra aspectos totalmente heterogêneos. A profissional falou sobre a necessidade do conhecimento do espectro, tendo como foco o desenvolvimento e inclusão concreta do indivíduo TEA na sociedade como um todo.

“O TEA não se desenvolve, você nasce com ele, e, em casos de TEA confirmado, inevitavelmente, precisam haver déficits reais no indivíduo desde a infância”, observa. “Se as características não são evidenciadas desde a tenra infância, muito provavelmente não é um caso de TEA.”

O Transtorno do Espectro Autista é visualmente pouco identificável. E isso torna os tratamentos desse indivíduos muito mais difíceis, especialmente quando chegam à adolescência ou à fase adulta, com dificuldades em alcançar a independência e com dificuldades na maioria dos âmbitos da vida.

Segundo o CDC, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, a cada 31 nascimentos, se tem 1 caso de autismo. “O TEA não tem uma causa específica, mas possui um fator significativo, que é o fator genético. Ele está intimamente ligado aos incidentes de TEA”, destaca Tatiana.

Para a validação de um diagnóstico, precisa se confirmar certos critérios diagnósticos, como a complicação (ou superdotação) na comunicação social, representadas pela linguagem receptiva e linguagem expressiva. “A comunicação social é muito cheia de critérios, e a fala, geralmente vista como uma comunicação, é uma ferramenta. A comunicação acontece bem antes”, acrescentou.

O TEA possui interesses restritos, fixos e intensos; dificuldade de alteração de rotina, pela rigidez cognitiva; rituais, que são modos de desestimular o cérebro, também comum no TDAH, sendo algo constante, em ambos os transtornos.

Entre as principais características do TEA adolescente, se tem a sensação de não-pertencimento; desinteresse pelas atividades físicas; busca por isolamento; dificuldade nas relações sociais e poucos amigos.

Sobre os hiperfocos, ela trouxe uma problemática importante e real, onde “saber muito de um assunto em específico, e não conhecer tão bem o que está ao nosso redor, dificulta ainda mais a interação social e inclusão.” É aqui onde o desenvolvimento das habilidades sociais se mostra ainda mais essencial, pois impacta na capacidade de inserção no mercado, autonomia e melhora qualitativa da vida do indivíduo TEA.

Sobre o TEA na vida adulta, Tatiana começou apresentando um dado. Segundo o CDC, 1% da população adulta mundial está dentro do Espectro Autista. No Brasil, de acordo com o IBGE, 1,5% dos homens são identificados no espectro, sendo as mulheres 0,9%. O fator genético é predominante masculino, com a incidência feminina sendo menor.

O TEA adulto tem algumas problemáticas em comum, sendo o diagnóstico tardio, pela dificuldade de acesso ao diagnóstico, sendo uma delas.

E isso se dá pelo masking, que é a estratégia que pessoas no espectro autista usam para ocultar ou disfarçar seus traços autistas em situações sociais, a fim de se encaixarem ou evitarem estigma e exclusão. Mas essa “estratégia” desgasta e muito essas pessoas, trazendo uma sensação de exaustão e desânimo imensamente intenso.

Com o advento da internet, houve um aumento na taxa pela busca do diagnóstico, principalmente por meios familiares, onde, os pais, ao se identificarem nos sinais do filho, se autoidentificam, e, em alguns casos, são diagnosticados também.