Tatiana Lopes: “A realidade do Autismo além da infância”

Por Emily Matias Alves

Tatiana Lopes, psicóloga comportamental | Foto: AES

A segunda edição da Semana de Psicologia, na Esamc Santos, começou dia 9 de setembro (terça-feira), e se estenderá até dia 12. A palestra de abertura teve como tema “Autismo na adolescência e vida adulta”, com a psicóloga comportamental e fundadora do Instituto GADI, Tatiana Lopes.

Foram abordados pontos importantes como bullying, como os hormônios podem afetar o comportamento do jovem e como a Internet pode ajudar, se moderada, a vida dos neuroatípicos.

A psicóloga destacou, durante a palestra, a importância do diagnóstico precoce e da intervenção na primeira infância, aproveitando a janela da neuroplasticidade para o desenvolvimento de habilidades socioemocionais.

“Mesmo na vida adulta, é possível desenvolver essas habilidades. O que muda é o ritmo e o potencial de desenvolvimento, mas a intervenção terapêutica continua sendo essencial”, afirmou Tatiana.

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta a comunicação, o comportamento e a interação social. Ele pode se manifestar em diferentes níveis, leve, moderado ou grave, e quanto maior a independência e autonomia do indivíduo, menor o nível de suporte necessário.

Tatiana reforçou que o diagnóstico, mesmo que tardio, pode ser um norteador para ampliar habilidades e melhorar a qualidade de vida: “O diagnóstico não é um limitador, é uma ferramenta para que o sujeito se reconheça e encontre meios adequados para se desenvolver no mundo”.

Dados recentes reforçam a relevância do tema. Segundo o novo relatório do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, divulgado em 2025, há um caso de autismo para cada 31 nascimentos, um aumento de 15% em relação aos dois anos anteriores. Estima-se ainda que cerca de 1% da população adulta mundial esteja dentro do espectro.  

No Brasil, o Censo de 2022 aponta que a incidência de diagnóstico é mais elevada em crianças (2,6%) do que em adultos (0,9% na faixa a partir dos 25 anos), o que reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à identificação e ao suporte desde os primeiros anos de vida.

Tatiana também abordou os impactos sociais do diagnóstico na adolescência, especialmente na construção da identidade. “Infelizmente, ainda há muito estigma. O adolescente com TEA muitas vezes é rotulado como incapaz, o que afeta profundamente sua autoestima e senso de pertencimento. Precisamos ser formadores de opinião para promover uma inclusão social de qualidade.”

A palestra foi encerrada com reflexões sobre o papel dos pais e da sociedade no apoio aos jovens autistas. Tatiana enfatizou que a superproteção pode limitar o desenvolvimento e que é fundamental enxergar o adolescente como um indivíduo com potencial, não como uma extensão dos pais. “Cabe à sociedade e ao Estado oferecer condições reais para que essa família tenha uma rede de apoio adequada e não infantilize esse sujeito.”