TEA: Da infância à adolescência e os desafios enfrentados

Por Nicole Souza

Tatiana Lopes, psicóloga comportamental | Foto: AES

Nos últimos anos, o Transtorno do Espectro Autista (TEA) deixou de ser um tema restrito a consultórios e especialistas e ganhou espaço em rodas de conversa, escolas, empresas e em palestras universitárias –- como foi o caso de um encontro realizado na ESAMC Santos, terça-feira (9), com a psicóloga comportamental Tatiana Lopes.

Num ambiente todo pensado e preparado para a melhor recepção das pessoas que estão dentro e fora do espectro, com luzes baixas, um som adequadamente não agudo e o apoio psicológico disponível durante a noite toda, Tatiana destacou que o autismo pode ser diagnosticado em diferentes fases da vida, da infância à vida adulta, identificando desafios enfrentados e mostrando soluções que podem ser colocadas em prática para a criação de um ambiente mais empático.

Apesar do tema estar ganhando cada vez mais visibilidade, o Brasil não conta com um levantamento oficial sobre a incidência do TEA em crianças. Por isso, usamos os dados do Centers for Disease Control and Prevention (CDC), dos Estados Unidos, que divulgou em 2025, que 1 em cada 31 crianças recebe o diagnóstico.

Existe ainda outro problema enfrentado pela falta de informação e preconceito presente na sociedade, que entende e julga o crescimento de diagnósticos laudados como uma espécie de “moda”, erroneamente, já que essa maior incidência se deve aos diagnósticos e tratamentos cada vez mais precoces.

Muito importante salientar que o diagnóstico ainda é um processo que leva meses e que deve ser sempre feito com apoio de especialistas, de forma alguma utilizando ferramentas ou testes onlines, já que o espectro autista depende de muitas facetas e especificidades que são diferentes de pessoa para pessoa.

Tatiana destacou como a autonomia, a independência e a empatia podem ser desafios diários para quem está no espectro, e que existem três níveis de suportes presentes nesse espectro, que vão do leve (aqueles que possuem uma autonomia que os permitem enfrentar os desafios do dia a dia com pouco suporte), moderado (demandam algum suporte) e grave (são totalmente dependentes de diferentes tipos de suporte).

Outro ponto levantado pela psicóloga foi a falta de assistência voltada ao público adulto no espectro, que recebem laudos tardiamente e contam com uma rede de apoio limitada, dificultando algumas vezes o tratamento.

Por fim, Tatiana enfatizou um ponto crucial: TEA não é uma doença, não é algo como uma gripe. TEA não possui cura, mas existem meios para a melhoria na qualidade de vida de pessoas que estão neste espectro. “A sociedade deve se adequar e transformar seus espaços para que as pessoas se sintam incluídas e acolhidas enquanto trilham seus próprios caminhos para uma vida melhor e com mais qualidade”, defende.