Por Emily Matias Alves

Durante a segunda edição da Semana de Psicologia, realizada entre os dias 9 e 12 de setembro, os participantes foram convidados a mergulhar em um universo de escuta, presença e compaixão. A palestra conduzida por Paula Ribas Carlino, atriz, jornalista e arteterapeuta, trouxe à tona os fundamentos da Comunicação Não-Violenta (CNV), uma abordagem que propõe transformar conflitos em oportunidades de conexão.
Inspirada no conceito indiano de Ahimsa, que significa não-violência, a CNV vai além da ausência de agressão física. Ela propõe uma postura de respeito profundo por todos os seres, incluindo a forma como pensamos e nos expressamos. Falar sem julgar, ouvir com atenção e agir com consciência são práticas que, segundo Paula, podem ser incorporadas no cotidiano, desde a alimentação até as relações interpessoais.
A metodologia foi desenvolvida pelo psicólogo americano Marshall Rosenberg, que acreditava que “por trás de todo comportamento violento existe uma necessidade não atendida”. Influenciado por Carl Rogers, Rosenberg criou a CNV como ferramenta terapêutica e educacional, realizando workshops pelo mundo com o objetivo de ensinar formas de comunicação que evitassem a reatividade e os impulsos.
Na CNV, a girafa é símbolo de empatia: com o maior coração entre os mamíferos terrestres, pescoço longo para ver além e ouvidos atentos para escutar. Em contraste, a linguagem do chacal representa a comunicação opressiva, baseada em julgamentos e imposições. Paula reforçou que a CNV nos convida a escolher a linguagem da girafa, aquela que vem do coração.
Em sua palestra, ela destacou os quatro passos essenciais para uma comunicação empática:
1. Observação: olhar a situação sem julgamentos.
2. Sentimento: reconhecer e assumir as emoções despertadas.
3. Necessidade: identificar o que está por trás dos sentimentos.
4. Pedido: expressar de forma clara e positiva o que se deseja.
Esses pilares ajudam a sair do “piloto automático” e cultivar relações mais humanas e respeitosas.
A CNV não é apenas uma técnica, mas um convite à reconexão com nossa essência relacional. Como destacou Paula, seu propósito é lembrar que fomos feitos para nos relacionar, apoiar formas concretas de manifestar essa consciência, desenvolver habilidades comunicativas e fortalecer nossa humanidade.
Em tempos de polarização e pressa, a Comunicação Não-Violenta surge como um respiro, uma prática que nos devolve à escuta, ao cuidado e à presença. Afinal, como bem disse Paula, “presença com qualidade é o maior presente que podemos oferecer ao outro.”
