A prática da comunicação não-violenta ajuda a evitar conflitos em seu cotidiano

Por Nicollas Felix

“Praticar a comunicação não-violenta não significa se omitir e ser bonzinho”, afirmou a jornalista e arteterapeuta Paula Ribas, que realizou palestra sobre Comunicação Não-Violenta (CNV) na ESAMC Santos, nesta quarta-feira (10). Essa palestra fez parte da programação da 2ª Semana de Psicologia, que termina sexta-feira (12).

Segundo Paula, a CNV foi inspirada nos princípios de Mahatma Gandhi, defensor da prática do amor e respeito aos limites como base da convivência. Já na década de 1960, o psicólogo estadunidense Marshall Rosenberg criou o termo CNV e desenvolveu sua metodologia.

Como forma de exemplificar a prática de CNV no cotidiano, Paula mostrou ao público sinalizações no trânsito. De acordo com ela, os sinais nas ruas facilitam o tráfego, evitando acidentes (violência). Dessa forma, entende-se três pontos relacionados à comunicação não-violenta: respeitar o limite do outro, melhorar a comunicação e ensinar a observar sinais. “Assim, observando sinais, a pessoa sai do automático, reatividade e impulso das ações”.

Paula citou que a girafa é o símbolo da CNV, por conta de suas características físicas. Devidos as orelhas grandes, há melhora na escuta para ouvir aos outros, com empatia. O pescoço refere-se a enxergar tudo por cima, de um modo mais claro, além dos julgamentos. O casco nas patas representa a expressividade de duas necessidades com autenticidade, além do coração, que é o maior dos mamíferos terrestres. Segundo Paula, a CNV pode ser definida como a linguagem do amor.

De acordo com a jornalista, a CNV possui quatro pilares: Observação, Sentimento, Necessidade e Pedido. “Fortalecer a humanidade é o maior propósito da comunicação não-violenta, já que visa facilitar a conexão empática entre as pessoas. Ou seja, todos em harmonia em um mesmo espaço”, disse a arteterapeuta. 

Para exemplificar essa harmonia no dia a dia, Paula utilizou a situação que uma pessoa reclama para outra da louça não lavada. Segundo a especialista, o ideal é não acusar a outra pessoa louça lavada. Para evitar o conflito, e seguindo a CNV, pode-se solicitar mais cooperação naquilo. Dessa forma, retira-se a acusação e apontamento de culpa, para trazer o cuidado para a relação, sem agredir. 

Ao final da palestra, ela contou sobre o que não é considerado CNV, já que há situações que podem confundir as pessoas. Ela conta que ser bonzinho e passível ou que a CNV é apenas uma técnica de evitar conflitos, está errado. Além disso, ela afirma que “se as pessoas precisam se calar em certo ambiente, aquele espaço é violento”. Segundo ela, é preciso entender os sinais, praticando um dos quatro princípios da CNV.