Por Yuri Grem

No dia 10 de setembro, quarta-feira, A ESAMC Santos recebeu a palestra “Comunicação não-violenta”, dentro da 2ª Semana de Psicologia.
A jornalista e terapeuta Paula Ribas foi quem conduziu a palestra, abordou sobre os princípios, técnicas, história, elaboração e objetivos da Comunicação Não-Violenta (CNV), citando grandes autores do tema, e com exemplos práticos e visuais.
Desenvolvida pelo psicólogo americano Marshall Rosenberg (1934-2015), a CNV visa criar conexão e resolver conflitos de forma pacífica. Seu princípio fundamental é que, por trás de todo ato de violência, seja físico ou verbal, existe uma necessidade humana não atendida.
A CNV não é apenas uma técnica, mas uma mudança de mentalidade. Ela propõe que, em vez de julgarmos, criticarmos ou exigirmos, nos comuniquemos expressando nossas observações, sentimentos, necessidades e pedidos de forma clara e honesta, sem culpar ou acusar o próximo.
O encontro foi pautado por interpretações e discussões do livro “Por trás da violência existe uma necessidade”, de Rosenberg, que foi inspirado por Carl Rogers, seu professor e pioneiro da psicologia humanista. Rogers acreditava na tendência do ser humano para a autorrealização, e enfatizava a importância da escuta empática e da aceitação. Rosenberg levou esses conceitos para o campo da comunicação, criando uma prática para aplicar a empatia no dia a dia, por meio da CNV.
Paula apresentou a mascote da CNV, a girafa, o animal terrestre com o maior coração. Ela simboliza a capacidade de olhar com compaixão e com calma para situações que afloram os ânimos em uma relação de comunicação. A “linguagem da girafa” contrapõe-se à “linguagem do chacal”, que é acusatória, crítica e baseada em julgamentos.
A CNV é uma técnica de evitar conflito, mas não de fugir dele, tendo o objetivo de abrandar a linguagem mutuamente, passando a sensação de segurança para se estar em uma conversa ou debate. Não é passiva, e busca também impor limites com respeito, pois não se trata de uma técnica de manipulação, e, sim, da criação de um ambiente de bem-estar entre os interlocutores.
Aplicada em contextos que vão de relações pessoais e familiares a escolas, empresas e até mesmo em complexas mediações de conflitos internacionais, a CNV se consolidou como uma ferramenta poderosa para desarmar discursos de ódio e construir pontes de entendimento mútuo.
