Por João Guilherme Araújo

Na última quarta-feira (10/9), ocorreu a palestra “Comunicação não-violenta”, como parte da 2ª Semana de Psicologia, na ESAMC Santos. Conduzida por Paula Ribas Carlino, arteterapeuta, estudante de psicologia e pós-graduada em jornalismo digital, a palestra abordou os principais conceitos e pilares da Comunicação Não-Violenta, a CNV.
O conceito surgiu com Marshall Rosenberg, escritor e criador da CNV, para ser aplicada no trabalho e na vida cotidiana. É uma abordagem que busca fortalecer conexões humanas a partir da empatia e do diálogo consciente. Seus pilares são: observação, sentimento, necessidade e pedido, que ajudam a transformar conflitos em oportunidades de entendimento.
Primeiro, observa-se a situação sem julgamentos, apenas descrevendo fatos. Em seguida, identifica-se o que se sente diante do ocorrido, reconhecendo emoções de forma honesta. Depois, conecta-se esse sentimento a uma necessidade essencial que está ou não sendo atendida. Por fim, formula-se um pedido claro e viável, abrindo espaço para colaboração. Essa prática torna a comunicação mais autêntica, respeitosa e construtiva, promovendo relações baseadas em compreensão mútua.
Paula explica que a CNV dialoga profundamente com o princípio do “ahimsa”, conceito presente no hinduísmo e central na filosofia do pacifista Mahatma Gandhi. O termo significa “não-violência” e vai além da ausência de agressão física, abrangendo também pensamentos, palavras e atitudes. O ahimsa convida a agir com respeito e compaixão, evitando causar sofrimento desnecessário ao outro. Gandhi aplicava esse princípio em sua luta política e espiritual, mostrando que transformar a sociedade começa pela forma como nos relacionamos com os demais. Quando unimos CNV e ahimsa, encontramos um caminho prático e ético para cultivar empatia, reduzir conflitos e promover relações mais justas, alinhando comunicação e espiritualidade em favor da paz.
Complementando a apresentação, Paula introduz ao mascote da CNV, a girafa, porque possui o maior coração entre os animais terrestres e, ao mesmo tempo, uma visão ampla graças ao seu longo pescoço. Esses elementos representam a essência da CNV: comunicar-se a partir do coração, com empatia, e enxergar as situações de forma mais abrangente, sem reduzir o outro a julgamentos ou rótulos. É mostrado que o próprio Marshall Rosenberg utilizava da figura da girafa em seus ensaios sobre o conceito, para contrapor a figura do chacal, que representa julgamento e exigência.
A palestrante também deu exemplos práticos, que podem ser utilizados no nosso cotidiano, e desconstruiu o mito de que a CNV é uma comunicação passiva, pois que falar e ouvir com compaixão não é fraqueza, mas sim um meio de construir diálogos mais humanos.
