Por Guilherme Gunzburguer

Na última terça-feira, 9 de setembro, na 2ª Semana de Psicologia da ESAMC Santos, a psicóloga comportamental Tatiana Lopes falou sobre o tema “Autismo na Adolescência e na Vida Adulta: Desafios e Possibilidades”. Ela é sócia-fundadora da clínica GADI (Grupo de Avaliação Diagnóstica e Intervenção), em Santos.
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) se manifesta em indivíduos em diferentes fases do desenvolvimento humano, da infância à vida adulta.
Lopes buscou trazer para os futuros profissionais da área da neurociência, informações sobre os estudos do TEA desde seu início, em 1943, com pesquisas realizadas e publicadas pelo psiquiatra austro-americano Leo Kanner, trazendo a discussão para o presente, abordando o que se compreende do transtorno na atualidade, suas características e os critérios de diagnóstico.
Um dos principais pontos da palestra foi a ênfase em desmitificar o entendimento do TEA como uma doença. Lopes reforçou que se trata de um transtorno do desenvolvimento humano, uma condição que acompanha o indivíduo desde o nascimento e que não pode ser adquirido de outra forma ao longo da vida, sendo algo intrínseco ao sujeito que se encaixa no espectro autista.
Quando manifestado no indivíduo, o TEA apresenta três níveis de suporte sendo eles o leve, o moderado e o grave. Cada um requer um grau de acompanhamento de acordo com as necessidades específicas, e, por se tratar de um espectro — no qual há uma gama de características e/ou comportamentos que variam em intensidade —, o monitoramento constante torna-se crucial para auxiliar na regulação do indivíduo.
O transtorno não é algo que possa ser diagnosticado em apenas uma consulta com um profissional; trata-se de uma avaliação contínua e multidisciplinar, com instrumentos de avaliação adequados, para que o diagnóstico seja realizado.
É necessário observar e analisar diferentes critérios, que incluem a comunicação social — composta pela linguagem receptiva e expressiva —, a integração e modulação sensorial, as habilidades sociais, entre outros fatores, como contato visual, concentração conjunta e compartilhada, comportamentos intensos, restritivos, fixos, habituais e ritualísticos. Fatores esses que avaliam a independência, a autonomia e a autorregulação do indivíduo que se encontra no TEA.
Lopes ressalta que é preciso compreender o significado real da inclusão social: “Não basta preparar e auxiliar os indivíduos dentro do espectro autista para que possam se inserir de forma mais flexível nos ambientes de trabalho, estudo e convívio social; é necessário que o inverso ocorra também: os ambientes devem se adaptar e mudar os paradigmas pré-estabelecidos para acolher e receber esses indivíduos”, diz.
