Palestra na Esamc Santos lança novos olhares sobre o autismo na adolescência e vida adulta

Por Jéssica Costabile

Tatiana Lopes, psicóloga comportamental | Foto: AES

A Semana de Psicologia prepara futuros profissionais para atuarem com responsabilidade e sensibilidade

A Semana de Psicologia da ESAMC Santos começou na terça-feira (9), com a palestra da psicóloga Tatiana Lopes, sócia-fundadora da clínica GADI (Grupo de Avaliação Diagnóstica e Intervenção), com o tema “Autismo na Adolescência e na Vida Adulta: desafios e possibilidades”.

O encontro trouxe informações técnicas sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e mostrou o papel social da Psicologia na construção de uma sociedade inclusiva. Como destacou a própria dinâmica da palestra, compreender o autismo é mais do que diagnosticar sinais, é um convite a enxergar o ser humano por inteiro.

Tatiana explicou pontos-chave do desenvolvimento, como o “sorriso social”, quando o bebê reage ao olhar do outro, e alertou para a importância de respeitar rituais e comportamentos. “Quando alguém desarruma uma sequência de carrinhos enfileirados por uma criança com TEA, não causa só frustração, mas uma desregulação profunda”, exemplificou.

Para os futuros psicólogos, a fala foi um chamado à empatia dos futuros profissionais. “Existe uma ideia equivocada de que o trabalho terapêutico vai só até os 12 anos. O sujeito continua existindo depois disso. Precisamos de profissionais especializados em adolescência e vida adulta”, destacou, lembrando da carência de atendimentos nessas fases.

Questões sensoriais, como a seletividade alimentar e a sensibilidade ao toque, foram apresentadas de forma acessível, trazendo teoria à prática. A especialista reforçou que compreender essas manifestações é essencial para o exercício da Psicologia, que deve estar sempre aliada ao respeito: “Não é frescura quando alguém não tolera etiquetas na roupa. Dói. É responsabilidade da sociedade criar ambientes adequados, porque já somos naturalmente diversos”.

Ao abordar a adolescência, Tatiana chamou atenção para um ponto crítico: o sentimento de não-pertencimento. “É muito comum que adolescentes com TEA não se sintam parte de grupos. Isso aumenta o risco de depressão e até tentativas contra a própria vida. Por isso, investir em habilidades sociais é um dos caminhos para a inserção acadêmica, profissional e social”, explicou.

Entre conceitos recentes como o masking, quando a pessoa ensaia comportamentos sociais para ser aceita, e reflexões sobre qualidade de vida, a palestra mostrou que o papel do psicólogo vai muito além do consultório. Ele é agente de mudança, capaz de reconhecer dores invisíveis e propor inclusão.

E é justamente esse o propósito da Semana de Psicologia da ESAMC: oferecer experiências que formem alunos conscientes, críticos e preparados para atuar com responsabilidade e sensibilidade no futuro da profissão.

Ao final, Tatiana deixou uma mensagem que resumiu todo o espírito do encontro e do evento: “Seja você a diferença no mundo”.

A proposta do GADI é ampliar o olhar sobre a saúde mental e o desenvolvimento humano. O espaço reúne diferentes áreas de atuação, como psicologia, terapia ocupacional, fonoaudiologia e psicopedagogia, e também promove grupos, workshops e palestras voltados à inclusão.

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