Quando a violência se disfarça de brincadeira

Por Thays Rabelo

Paula Ribas, jornalista estudante de psicologia | Foto: AES

ESAMC abre debate sobre bullying e caminhos para transformar a escola em um espaço mais respeitoso

Nesta quarta-feira (10), alunos e profissionais da ESAMC se reuniram para participar de uma palestra que trouxe à tona um tema urgente e sensível: o bullying. O encontro abriu espaço para reflexões importantes sobre o papel da escola, dos profissionais e da comunidade na prevenção e no enfrentamento desse problema.

As palestrantes Mariana Campos, neuropsicopedagoga; Débora Guimarães, mestre em psicologia; e Regina Jacob, psicopedagoga, reforçaram que o bullying é uma atitude injusta, repetitiva e intencional, com a intenção de humilhar, excluir ou machucar alguém. Elas explicaram que, diferentemente de um conflito comum, que pode ser resolvido com diálogo, o bullying precisa ser enfrentado de forma estruturada.

Quem são os envolvidos?

Durante o bate-papo, foi explicado que existem três indivíduos principais: Agressor: É quem pratica a violência e muitas vezes assume liderança autoritária no grupo, usando poder ou força para intimidar. Vítima: Geralmente é alguém mais isolado ou diferente, que sofre repetidamente e pode desenvolver problemas psicológicos graves. Testemunha: É quem presencia o bullying e, muitas vezes, não intervém, correndo o risco de normalizar a violência.

Durante o encontro, a professora de psicologia Maria Cristina Collaço complementou dizendo que o bullying muitas vezes é um comportamento replicado: quando a criança presencia atitudes agressivas na família ou no convívio social, tende a reproduzir esses padrões, levando a violência adiante.

Tipos e conseqüências:

O bullying pode se manifestar de diferentes formas: Verbal: xingamentos, apelidos e humilhações. Psicológico: exclusão, ameaças e boatos. Físico: empurrões, socos e agressões físicas. Virtual (cyberbullying): ataques e ofensas nas redes.

As palestrantes destacaram que as consequências atingem a todos: a vítima pode ter baixa autoestima, ansiedade, depressão e até pensamentos suicidas; o agressor tende a reforçar comportamentos violentos; e as testemunhas podem se tornar indiferentes ao sofrimento alheio, maximizando o ciclo de violência.

E o papel das instituições?

Um dos pontos centrais do debate foi a importância das instituições na prevenção do bullying. Segundo as palestrantes, é essencial: Fortalecer vínculos entre alunos, professores e comunidade; Desenvolver habilidades socioemocionais e afetivas; Criar projetos e ações intencionais para prevenir e lidar com casos de bullying.

Outro alerta importante foi sobre o excesso de telas, que afeta o sono dos estudantes, aumentando a irritabilidade e os riscos de conflitos dentro e fora do ambiente escolar.

Um problema de todos

O encontro reforçou que a responsabilidade de enfrentar o bullying não é apenas da escola, mas de toda a comunidade. Mais do que apontar o problema, é fundamental construir um ambiente escolar saudável, onde o respeito e o acolhimento façam parte do dia a dia de alunos e professores.