Por Rafaela Ribeiro Silvério

No dia 10 de setembro, a faculdade ESAMC Santos recebeu a arteterapeuta e especialista em Comunicação Não-Violenta (CNV), Paula Ribas Carlino, que ministrou uma palestra como parte da programação da Semana de Psicologia.
Durante o encontro, a profissional abordou o tema da CNV, com reflexões sobre sua aplicação nas relações interpessoais e na prática terapêutica.
Além da atuação clínica, Paula também se dedica ao ensino de escrita criativa aplicada à arteterapia. Em trabalhos de conclusão de curso (TCC), orienta seus alunos na produção de livros autobiográficos, nos quais compartilham suas jornadas pessoais por meio da arte.
Ao longo da conversa, Paula também introduziu o conceito indiano de Ahimsa, princípio central em tradições como o hinduísmo, o budismo e o jainismo, que prega a não-violência como caminho para a harmonia e o respeito ao outro.
Para ela, o respeito ao outro vai muito além da esfera física. Comunicar-se de forma não violenta também é uma forma essencial de demonstrar respeito. Paula aponta Mahatma Gandhi como uma das principais referências da Comunicação Não-Violenta, considerando-o um precursor da chamada cultura de paz.
Segundo a palestrante, a comunicação é a base de seu trabalho terapêutico. Em suas sessões, busca auxiliar os pacientes a enfrentarem dificuldades de expressão, promovendo uma comunicação mais clara, empática e eficaz.
Ela destaca ainda que a aplicação da não-violência na vida cotidiana começa pelos princípios de respeito e compaixão. No yoga, o Ahimsa está relacionado a eixos fundamentais como a alimentação, as relações interpessoais e o cuidado com o corpo. Dentro dessa filosofia, o corpo, tanto o próprio quanto o do outro, é considerado um templo, e não um objeto. A alimentação vegetariana, nesse contexto, é vista como um dos pilares dessa ética.
Ela conta que a comunicação não-violenta surge como um braço da psicologia, através do psicólogo estadunidense Marshall Rosenberg, para quem, “por trás de todo o comportamento violento existe uma necessidade”. A frase se tornou um dos eixos das práticas de comunicação não-violenta. Rosenberg costumava utilizar o lúdico, como bichinhos de pelúcia e brinquedos, para ilustrar práticas de comunicação não-violenta. Em sua palestra, Paula se apropriou desta técnica, ao mostrar uma girafa, para explicar os princípios desta forma de comunicação: tem grandes orelhas, para escutar melhor; pescoço longo, para enxergar as coisas com certo distanciamento; cascos, para se firmar no chão; e um grande coração, para acolher os outros.
A palestra de Paula proporcionou aos participantes uma rica oportunidade de repensar a forma como se comunicam, tanto no âmbito pessoal quanto no profissional. Ao integrar saberes da arteterapia, da filosofia oriental e da psicologia ocidental, mostrando que a comunicação não-violenta vai muito além da técnica: é uma prática de vida.
